Documentação Técnica

Documentação Técnica
* Engenharia de Dragagem, Sinalização Náutica, Batimetria, Projetos de Canais Navegáveis, Meio Ambiente, Cartas Náuticas, Software de Navegação, Topografia Básica e outros assuntos técnicos.

* Os leitores poderão ter acesso e fazer download do material na parte inferior desta página.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Problemas ambientais e operacionais paralisam dragagem do Rio Gravataí!

A dragagem de manutenção do Rio Gravataí, no trecho compreendido entre a foz e as pontes da BR-116 que interligam os municípios de Porto Alegre e Canoas, sob responsabilidade da Superintendência de Portos e Hidrovias (SPH), está virtualmente paralisada em razão de restrições ambientais e operacionais.

Os equipamentos de dragagem encontram-se no local desde o início de fevereiro deste ano, quando iniciou a dragagem, mas as restrições ambientais impostas pela FEPAM não permitiram o avanço mínimo do serviço durante os primeiros 90 dias; passado esse período crítico, a dragagem continua sofrendo paralisações por causa de falhas mecânicas na draga e vazamentos nos diques da área de despejo, localizados na margem direita do Rio Gravataí.

Rio Gravataí - Trecho de Dragagem e Áreas de Despejo

A foto de satélite acima mostra o trecho de dragagem no Rio Gravataí, desde a foz até as pontes da BR-116, numa extensão aproximada de 1800 metros, e as respectivas áreas de despejo de material dragado. As áreas de despejo temporário, áreas A1 e A2, localizam-se na margem direita do canal, no município de Canoas, cujos diques foram construídos pela Associação Brasileira de Terminais Portuários - ABTP, entidade privada associativa dos terminais privativos. A área de despejo definitivo, área A3 (Vila DEPRC), está localizada no Canal Humaitá, junto ao Saco do Cabral, mas o material de dragagem poderá ter outra destinação e ser utilizado como material de aterro.

O parque de dragagem, mostrado na foto abaixo, é constituído pela draga Triches, do tipo sucção e recalque (pipeline), rebocadores LR Torres e LR São Sepé e Chata SH-5. A draga Triches, IHC GIANT 2300, possui capacidade de produção nominal de 650 m3/h, sendo que o volume de dragagem estimado no Rio Gravataí é de 124 mil metros cúbicos.

Draga Triches e Embarcações Auxiliares (ao fundo)

A atual paralisação da dragagem decorre de problemas mecânicos do equipamento, que estava parado há mais de 3 anos no porto da Capital e, especialmente, das falhas construtivas dos diques de despejo. A foto abaixo mostra o segundo dique (A2), localizado a montante da Casa de Bombas DNOS, que tem apresentado rompimento em diversos setores. Em razão disso, passados quase 5 meses, a dragagem encontra-se virtualmente paralisada.

Vista Geral do Dique 2 (Área de Despejo A2)

As restrições ambientais que ainda inviabilizam a dragagem do Rio Gravataí referem-se à liberação dos poluentes associados ao material de fundo e à turbidez provocada pela movimentação desse material, que podem afetar a fauna local e os pontos de captação de água a jusante da área de dragagem. Na área de despejo, da mesma forma, o lodo pode comprometer a fauna, a flora e o lençol freático. Isso sugere indagar sobre o nível de contaminação do material de fundo no Rio Gravataí; mas a questão fundamental, no entanto, é a seguinte: o controle ambiental que inviabiliza a dragagem resolve o problema de poluição no Rio Gravataí?

A resolução 344/2004 (CONAMA) estabelece dois níveis de contaminação por poluentes (metais pesados, bifenilas policloradas, hidrocarbonetos aromáticos policíclicos, pesticidas, etc.). Nas concentrações abaixo do nível 1, existe baixa probabilidade de efeitos adversos à biota (fundo natural/background); em concentrações acima do nível 2, é provável a ocorrência desses efeitos à biota (contaminação elevada). As situações intermediárias, de contaminação moderada, devem ser avaliadas para classificação do material em um dos níveis acima referidos.

Conforme análises de amostras coletadas em 2006, as concentrações de alguns metais pesados no Rio Gravataí estão levemente acima do nível 1 (valores limiares). De fato, os grandes problemas são o elevadíssimo teor de material orgânico (eutrofização), despejado pela rede de esgoto da cidade de Canoas, e o lixo jogado no rio pela população. As embarcações, que diariamente trafegam nesse trecho, movimentam esse material de fundo de forma desordenada, por meio do arraste de âncoras e movimento dos hélices, criando uma enorme pluma permanente de poluição.

Pluma permanente/efeito de hélices e arraste de âncoras

Assim, o controle ambiental que inviabiliza a dragagem não resolve o problema da poluição do Rio Gravataí; ao contrário, a permanência desse material no fundo do rio, cujo volume aumenta gradativamente, mantém o rio em estado de lenta agonia, praticamente morto. A dragagem retira esse material, reduzindo a pluma de poluição, e restabelece a hidrodinâmica do rio.

3 comentários:

  1. Prezado Hermes:

    A Draga Triches poderia vir para o Jacuí. Em Cachoeira do Sul a Granol está escoando 6 mil toneladas de farelo de soja por semana via rodoviária porque os senhores armadores gaúchos dizem não ser possível navegar no rio.

    Abraço.

    Ronaldo Tonet
    Secretário Municipal de Desenvolvimento

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  2. Para restabelecer a navegabilidade no Rio Jacui basta dragar alguns poucos trechos, como é o caso do Canal do Portão (Rio Pardo), e colocar em dia a sinalização náutica. A hidrovia está pronta! O trabalho que a SPH estava realizando no Rio Jacui, em 2008, tinha esse propósito - determinar os trechos a serem dragados. Ao mesmo tempo, estávamos colocando a sinalização em dia.Esse trabalho seria concluído em março de 2009, no máximo, e a dragagem poderia ter iniciado em seguida, o que permitiria colocar a hidrovia em plenas condições no início desse ano (2010). Mas o atual governo e seus aliados, para atender demandas políticas de "companheiros necessitados", desmontou a estrutura técnica que estava executando os trabalhos no Rio Jacui. O Diretor de Hidrovias, Eng. José Carlos Martins, resistiu muito contra essa mudança porque sabia que isso prejudicaria a continuidade dos trabalhos nas hidrovias. Mas prevaleceu a vontade do Diretor-Superintendente à época, Eng. Roberto Falcão Laurino, indicado por José Otávio Germano (PP, Cachoeira do Sul). Atualmente, o Eng. Roberto Falcão Laurino, aposentado da SPH, é empregado de uma conhecida empresa de dragagem do setor privado...

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  3. A draga Triches, que está sendo usada nessa polêmica dragagem do Rio Gravataí, não é a mais indicada para o Rio Jacui. Nesse caso, o equipamento adequado é a draga Eng. Serrano e, dependendo do material de fundo, a draga Santo Amaro. Mas não acredito que isso possa ser retomado na atual gestão, que não possui uma política pública para o setor hidroviário. Mantida a tendência de mudança do atual quadro institucional, que é um desejo da sociedade gaúcha, a expectativa é de que a revitalização da SPH possa ser feita a partir de 2011. Com isso, será possível retomar e reativar as hidrovias gaúchas.

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