Documentação Técnica

* Engenharia de Dragagem, Sinalização Náutica, Batimetria, Projetos de Canais Navegáveis, Meio Ambiente, Cartas Náuticas, Software de Navegação, Topografia Básica e outros assuntos técnicos.

* Os leitores poderão ter acesso e fazer download do material na parte inferior desta página.


sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Extração de areia - Destruição dos rios, das hidrovias e da mata ciliar

Praticamente toda a areia natural extraída para fins de construção civil utiliza intensamente a água em seus processos, que se pode agregar em 3 grandes grupos: Extração em Leito, Extração em Cava e Desmonte Hidráulico de Solos Residuais.

No processo de extração em leito a areia é extraída diretamente do leito dos rios, através de dragas flutuantes, como indicado na figura 1. O material extraído é armazenado junto às margens dos rios nos pátios de estocagem. Do ponto de vista ambiental, há a necessidade de desmatamento junto à margem dos rios, com danos à mata ciliar e áreas de proteção permanente. Nos corpos hídricos, há o revolvimento do material do fundo dos rios, com possíveis prejuízos à biótica fluvial, além de modificações da dinâmica de sedimentação, com movimentação dos finos e deposição em outros locais. Pode ocorrer por breves períodos o aprofundamento da calha dos rios que leva ao rebaixamento do nível d´água. Em alguns casos, esse rebaixamento pode fazer com que as tomadas d´água dos pontos de captação a jusante fiquem fora d´água. No entanto, com o passar do tempo haverá nova reposição de material nos locais de extração, devido ao aporte de sedimentos do próprio rio.

Já no processo de extração em cava a extração da areia se dá em um ciclo fechado e progressivo em área e profundidade, utilizando-se da água subterrânea como veículo do processo. O processo é iniciado mecanicamente até atingir o lençol freático, momento em que passa a ser controlado pela água subterrânea, como ilustrado na figura 2.

Finalmente, ao esgotar o recurso a extrair, seja por atingir os limites horizontais e verticais, seja por atingir os limites de rentabilidade econômica, a cava é simplesmente abandonada, voltando o nível d’água à situação da figura 3, permanecendo então um espelho d’água artificial permanente na área da cava. Neste espelho d´água permanente ocorre perpétua evaporação de água, e conseqüentemente perpétuo uso da água.

O terceiro tipo de processo de extração de areia constitui-se no desmonte hidráulico de solos residuais, também conhecido por “areia de barranco”, que consiste simplesmente na lavagem sob pressão dos finos (argila e silte) em bancadas de solos residuais, separando-os da areia. Os solos residuais são normalmente oriundos da ação do intemperismo em rochas graníticas, gnáissicas, quartzíticas ou xistosas.

Como pode ser visto acima, a atividade de extração de areia tem profundos impactos sobre os rios e mananciais, destruindo suas margens, a mata ciliar, rebaixando o lençol freático e alterando os canais de navegação. Abaixo aparece um exemplo de equipamento para extração de areia. O material foi "pescado" no próprio site do fabricante pelo engenheiro Edson Machry e, com certeza, revela que a extração de areia a menos de 50 metros das margens é atividade criminosa (apesar da posição "flexível" dos órgãos ambientais do RS).


Fonte: Agência Nacional de Águas, Nota Técnica nº 305/2004/SOC.

2 comentários: