Documentação Técnica

Documentação Técnica
* Engenharia de Dragagem, Sinalização Náutica, Batimetria, Projetos de Canais Navegáveis, Meio Ambiente, Cartas Náuticas, Software de Navegação, Topografia Básica e outros assuntos técnicos.

* Os leitores poderão ter acesso e fazer download do material na parte inferior desta página.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Estudo PPGEM/PROMEC/UFRGS afirma que dragagem não causa impactos negativos na qualidade da água do Rio Gravataí

A dragagem do Canal do Gravataí, desde a foz até as pontes da BR-116 (1.750 metros) está virtualmente paralisada desde o seu início, em janeiro deste ano, pois até o mês passado a SPH contabilizava apenas 20 horas de operação da bomba de dragagem (o equivalente a dois dias de trabalho). A dragagem, que tem a participação dos empresários da ABTP, responsáveis pela construção e manutenção dos diques de despejo, não consegue se tornar uma realidade por problemas nos diques, no equipamento de dragagem e, especialmente, por restrições ambientais da Fepam.

As dificuldades ambientais decorrem da natureza do material depositado no fundo do canal, que resulta em grande parte do esgoto "in natura" lançado no rio pelos órgãos municipais. Ele contém diversos poluentes, alguns em concentrações que ultrapassam os niveis 1 e 2 fixados pela Resolução 344/2004-CONAMA,e uma excessiva concentração de material orgânico (eutrofização). A dragagem acaba revolvendo esse material, no local da escavação, causando a ressuspensão do sedimento contaminado e fazendo com que os poluentes (metais pesados, pesticidas, PCB's e PHA's) tornem-se novamente disponíveis na lâmina d'água.

Da mesma forma, nas áreas de despejo, na água ou em terra, também ocorrem efeitos prejudiciais ao meio ambiente e, no caso da dragagem do Rio Gravataí, em que o despejo seria feito em terra (diques), a resolução 344/2004 estabelece, para efeito de classificação do material a ser dragado, que o mesmo deverá ser comparado aos valores orientadores estabelecidos para solos pela norma da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental-CETESB, "Estabelecimento de Valores Orientadores para Solos e Águas Subterrâneas no Estado de São Paulo".

Em conseqüência, tanto no local de dragagem, como nas áreas de despejo (na água ou em terra), é necessário monitorar tais efeitos, especialmente quanto aos impactos negativos na coluna d'água, pois a dragagem prejudica, em maior ou menor grau,a qualidade da água (a intensidade desse prejuízo vai depender, dentre outros fatores, da natureza do material dragado). Por outro lado, a permanência do material contaminado no fundo do rio também não ajuda a preservar o manancial d'água e a vida; ao contrário, ele é muito movimentado pela passagem das embarcações, nas enchentes e durante os temporais. Então a dragagem é necessária, mas ela também afeta,temporariamente e forma negativa, as condições de qualidade do solo e da água.

Nesse aspecto, o relatório técnico de pesquisadores do grupo GMAp, que presta assessoria à Associação de Terminais Privados - ABTP na área de engenharia naval, da construção naval (análise de riscos, embarcações), desperta a atenção por dois motivos: primeiro, por não ser usual que profissionais ligados a atividades de mecânica naval façam incursões em área tão diversa e de grande complexidade (análise de solos, qualidade da água, etc.); segundo, por divulgar esse tipo de informação - que a atividade de dragagem não causa impactos negativos à qualidade da água, contrariando o que é reconhecido e divulgado por todas as instituições universitárias de ensino e pesquisa existentes no mundo inteiro.

Para subsidiar a análise e discussão do assunto, a seguir fornecemos algumas informações úteis a respeito do referido relatório técnico e dos autores do mesmo, proporcionando inclusive que o estudo seja examinado em inteiro teor (link).

Os professores Ignacio Iturrioz e André Schaan Casagrande são pesquisadores do GMAp - Grupo de Mecânica Aplicada, do Departamento de Engenharia Mecânica da Escola de Engenharia da UFRGS, grupo que é dividido em dois setores, um experimental e outro numérico, que trabalham conjuntamente, a saber:

GMAp Numérico: O setor numérico é voltado para pesquisa, desenvolvimento e aplicação de métodos numéricos e teóricas de problemas de análise de tensões e deformações, comportamento estático e dinâmico de estruturas, otimização estrutural e mecânica da fratura.

GMAp Experimental: Este setor se concentra na pesquisa e aplicação de tecnologias experimentais para monitoramento de máquinas e estruturas em regime estático ou dinâmico, incluindo acústica e ruído, técnicas de manutenção e biomecânica.

Cassiano Rossi dos Santos é formado em  Engenharia Ambiental (ULBRA-2008), e é aluno mestrando em Tecnologia Mineral e Ambiental do PPGEM/UFRGS.


23º Congresso Nacional de Transporte Aquaviário, Construção Naval e Offshore.
Rio de Janeiro, 25 a 29 de Outubro de 2010.

Análise crítica do monitoramento ambiental do trecho do rio Gravataí - RS.
SANTOS, C. R. (1), CASAGRANDE, A. S. (2); ITURRIOZ, I. (2)
(1) PPGEM/UFRGS – Prog. de Pós graduação em Engenharia de Minas, Metalúrgica e de Materiais
(2) PROMEC/UFRGS - Programa de Pós Graduação em Engenharia Mecânica

Resumo

 Este trabalho apresenta os resultados do monitoramento ambiental do processo de dragagem em um trecho de dois quilômetros na foz do rio Gravataí, no estado do Rio Grande do Sul. A primeira etapa do trabalho é referente ao monitoramento da água do rio durante a operação da draga de corte e sucção, para se avaliar a influência da atividade de dragagem na qualidade da água no trecho em questão. A segunda etapa é referente a avaliação da qualidade da água disposta juntamente com o sedimento num dos dois diques de armazenamento temporário, visando a disposição da mesma no rio após separação dos sólidos. A atividade de dragagem do rio Gravataí é regulamentada pela Fundação Estadual de Proteção Ambiental (FEPAM), órgão fiscalizador do estado. Os resultados preliminares indicam que a atividade de dragagem não impacta negativamente a qualidade da água do rio Gravataí no trecho monitorado e nas condições avaliadas. O trabalho apresenta o resultado dos monitoramentos realizados até julho de 2010, as técnicas utilizadas na dragagem, e sugere melhorias do monitoramento proposto pelo órgão ambiental, assim como novas formas de controle dos impactos ambientais.

Veja o trabalho acima na íntegra http://tinyurl.com/26lgv4b

Fonte: INSTITUTO PAN-AMERICANO DE ENGENHARIA NAVAL http://www.ipen.org.br/

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