O sistema portuário brasileiro apresenta dois tipos básicos de terminais portuários: de
uso público e de
uso privativo.
O primeiro é destinado a atender aos usuários, genericamente. Qualquer um que queira receber ou enviar carga por via marítima, fluvial ou lacustre recorre a um porto público e é atendido. Ou seja, o porto público atende a todos indiscriminadamente; com tarifas módicas e regularidade.
A principal característica de um porto público é a movimentação de carga geral, embora não exclusivamente.
O segundo é destinado a movimentar cargas próprias de grandes produtores (Petrobras, Vale, MMX, CSA) e embarcadores (Cargill, Maggi). Estes não seguem os limites e exigências dos primeiros, por motivos óbvios.
A principal característica de um porto privativo é a movimentação de granéis sólidos e líquidos. Eventualmente, movimenta cargas frigorificadas em contêineres. Praticamente, inexiste terminal de uso privativo que movimente carga própria em contêineres.
Números globais
A partir de 2003, a corrente de comércio exterior quase quadriplicou, passando de cerca de US$ 100 bilhões em 2002 para estimados US$ 370 bilhões em 2010.
A quantidade de contêineres (cargas de maior valor agregado) aumentou 2,25 vezes, passando de cerca de dois milhões, em 2002, para cerca de 4,5 milhões, em 2010.
Alguns números operacionais
São apresentados, a seguir, alguns números operacionais da Santos Brasil, maior operadora de contêineres do país e da América do Sul.
a) Movimento de contêineres por hora por navio
Em 1998: 11
Em 2007: 58
Em 2011 (previsão): 77
b) Movimentação de contêineres
Em 1998: 208.530
Em 2007: 856.300
Em 2011 (previsão): 1.388.000
Como se vê, conforme aumenta a demanda das operações portuárias, ocorre o mesmo com a eficiência do sistema, especialmente nos portos públicos, que carregaram o piano do crescimento da movimentação da carga geral, nos últimos oito anos.
O grande desafio do modal aquaviário (sobre hidrovias trataremos mais à frente) é o de ampliar a navegação de cabotagem, visando reduzir significativamente os atuais custos logísticos de produtos que ainda são transportados via caminhões, paralelamente à gigantesca aquavia marítima que é o litoral brasileiro, interligado ao Rio Amazonas. Os primeiros sinais de ampliação desse movimento já são identificados, embora ainda tímidos em relação ao seu potencial.
Principais desafios do sistema portuário
■Dragagem de aprofundamento e manutenção, levando o calado para, no mínimo, 15 metros.
■Ampliação dos berços, para receber navios de maior capacidade
■Aumento das retro-áreas para contêineres
■Melhoria dos acessos rodoviários e ferroviários
Balanço do PAC do sistema portuário (2007 - outubro de 2010)
O balanço de quatro anos do PAC (até outubro de 2010) está disponibilizado na internet, neste link:
http://www.brasil.gov.br/pac/relatorios/nacionais/11o-balanco-4-anos
Obras Concluídas
■Areia Branca/RN - Repotencialização do Terminal Salineiro de Areia Branca - 22/04/2008
■Vila do Conde/PA - Construção da Rampa Roll-On Roll-Off - 28/06/2009
■Itaguaí/RJ - Dragagem de Aprofundamento do Canal de Acesso - Fase 1 - 15/09/2009
■Santos/SP - Avenida Perimetral Portuária Margem Direita - Trecho 1 - 09/07/2010
■Santos/SP - Avenida Perimetral Portuária Margem Direita - Trecho 2 - 20/12/2010
■Itaqui/MA - Recuperação do Berço 102 - 30/08/2010
■Maceió/AL - Conclusão do Cais para Contêineres - 20/12/2010
Obras em Andamento - Destaques
■Rio Grande/RS - Ampliação dos molhes - 98% realizados
■São Francisco do Sul/SC - Berço 201 - 72% realizados e Berço 101 - 82% realizados
■Maceió/AL - Conclusão da Construção do Cais para Contêineres 3a fase - 98% realizados
■Vila do Conde/PA- Ampliação do Píer Principal - 27% realizados
■Areia Branca/RN - Ampliação e Adequação do Terminal Salineiro - 43% realizados
■Itaqui/MA - Construção do Berço 100 - 55% realizados
Programa Nacional de Dragagem
Obras concluídas em 6 portos:
Recife/PE - 12/12/2009, Rio Grande/RS - 20/07/2010, Angra dos Reis/RJ - 30/07/2010, Itaguaí/RJ - Fase 2 - 29/11/2010, Aratu e Salvador/BA - 30/11/2010
Obras em andamento em 7 portos:
Suape/PE - Canal Interno - 89%, Natal/RN - 45%, Santos/SP - Dragagem - 40%, Rio de Janeiro/RJ - 35%, São Francisco do Sul/SC - 34%, Fortaleza/CE - 30% e Cabedelo/PB - 12%
Observem o quadro abaixo, que sintetiza todas as obras do Programa Nacional de Dragagem:
Licitações em andamento em Itajaí/SC e Santos/SP - derrocamento
Fortalecimento Institucional e Desoneração Tributária
- Criação da Secretaria Especial de Portos em 07/5/2007
- Criação do Programa Nacional de Dragagem, pela Lei 11.610, de12/12/2007
- Prorrogação do prazo de vigência do Reporto (PLV 10/2008). Com isso, criou-se a possibilidade de um grande movimento de aquisição de equipamentos para aumentar a eficiência dos portos públicos.
- A Lei 11.774/2008, oriunda da MP 428, estendeu os benefícios do Reporto para o modal ferroviário.
Desafios institucionais
Como já escrevi anteriormente, do ponto de vista da gestão, muito se falou sobre a ineficiência das Cias. Docas, alegando-se a partidarização das mesmas. Isso foi verdade anteriormente ao governo Lula e, em alguns casos, ainda ocorreu no seu governo.
Mas o que ninguém fala é que as Cias. Docas foram recebidas, pelo Governo Lula, em situação crítica, devido a passivos trabalhistas, comerciais e outros, impedindo, em muitos casos, que a receita da empresa fosse utilizada plenamente.
No caso da Cia. Docas do Rio de Janeiro, todos os ativos (que não são poucos) ainda estão gravados pela Justiça, para inúmeras ações em andamento, e, durante um período (2005-2007) a receita ficou quase que totalmente bloqueada pela Justiça.
Algumas Cias. estão conseguindo, a muito custo, resolver essa situação, mas se quisermos que as Cias. Docas funcionem, de fato, é preciso que a União solucione ou minimize a influência desses passivos na gestão das empresas.
Finalmente, o futuro governo terá que tomar uma decisão importante sobre as atribuições do aquaviário divididas em duas estruturas ministeriais: Ministério dos Transportes e SEP – Secretaria Especial de Portos. Esta foi criada porque o Presidente Lula entendia que Ministério dos Transportes não dava a prioridade adequada ao aquaviário. Hoje e no futuro, este modal terá um papel importante no desenvolvimento nacional e regional do Brasil.
A SEP cumpriu um importante papel para possibilitar que o sistema portuário tivesse o excelente desempenho que teve até aqui.
Entretanto, esta Secretaria, com status de ministério, cuida somente de alguns portos marítimos. Devido à proporção que o modal aquaviário vem tomando e irá tomar nos próximos anos, é preciso que a SEP seja transformada no Ministério dos Portos e Vias Navegáveis, ou coisa semelhante.
Hoje, por vácuo institucional, quem define a política do modal aquaviário é a Antaq, o que é uma deformação. Já que o Ministério dos Transportes é pressionado a utilizar mais de 90% da sua energia nos modais “terrestres” (rodoviário e ferroviário), caberia ao Ministério de Portos e Vias Navegáveis assessorar a Presidenta Dilma Rousseff na elaboração e implantação das políticas do modal aquaviário.
Isso significa que esse novo ministério cuidaria dos investimentos mas também da logística aquaviária, incluindo a integração com os diversos modais.
* José Augusto Valente - Diretor Técnico da Agência T1
Fonte: PortoGente
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