Documentação Técnica

Documentação Técnica
* Engenharia de Dragagem, Sinalização Náutica, Batimetria, Projetos de Canais Navegáveis, Meio Ambiente, Cartas Náuticas, Software de Navegação, Topografia Básica e outros assuntos técnicos.

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segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Dragagem de manutenção de canais de navegação é uma coisa, dragagem de mineração para extração de areia é outra

É viável usar os areeiros para dragar os canais de navegação, e usar o material dragado para a construção civil ?

A proposta de abrir às as empresas de mineração a dragagem de canais navegáveis permitiria ao setor público, segundo seus defensores, a dragagem de manutenção gratuita das hidrovias interiores, pois os areeiros seriam remunerados com a comercialização do material dragado.

Se a solução do problema da dragagem fosse tão fácil assim, não teria sido ignorada pelos engenheiros que, ao longo dos últimos 59 anos têm estado à frente desse setor de obras públicas. Além de graves problemas ambientais e, especialmente, de natureza jurídica, essa proposta esbarra em restrições de ordem técnica, como pode ser visto abaixo.

Nos canais da zona sul, existe a salinização e granulometria inadequada (estuário da Lagoa dos Patos). Isso representa, em extensão, a metade dos canais das hidrovias Rio Guaíba e Lagoa dos Patos.


Nos canais da região norte, no Rio Guaíba, o material de fundo é lodoso, areia misturada com tabatinga, argila e silte, com baixa fração de areia, conforme pode ser visto no levantamento geomorfológico da UFRGS http://tinyurl.com/4jrahh6, e está na cota -6 metros!


A imensa maioria dos equipamento usados na extração de areia é inadequada para dragagem de canais (dragas estacionárias, canos de sucção de pequeno diâmetro), que tem que ser feita de maneira uniforme, segundo o perfil geométrico do canal. Além disso, as dragas areeiras não têm, nem podem ter, mecanismos de desagregação do material a ser dragado.

Assim, na verdade, os areeiros fazem apenas buracos no fundo dos rios, e não têm condições para dragar canais de navegação. Mas essa proposta, ainda que ingênua (leiga), pode ser usada para justificar a volta da mineração no Rio Guaíba, proibida pelo MP em razão dos elevados danos ambientais (destruição).

NOTAS TÉCNICAS

1 - Teor de cloretos (encontrados nas areias de dunas e praias) - os cloretos têm efeito danoso em concretos destinados à estruturas armadas, porém são utilizados como aceleradores de pega. O cloreto ataca o aço das armações de modo que a seção reta de uma barra pode crescer até 16 vezes o tamanho original, lascando o concreto e expondo a armação, reduzindo a capacidade de trabalho das peças estruturais. O teor máximo de cloreto de sódio é 0,08% do peso da areia.(Materiais de Construção Civil - Agregados, Scribd)

2 - É possível usar areia de praia para executar concreto? O uso de qualquer material no concreto depende de suas características intrínsecas e do nível de desempenho esperado da mistura que constitui o concreto. No caso da areia de praia, as deficiências habitualmente apontadas relacionam-se com a granulometria fina e com a presença de sais solúveis.

Esses sais podem diminuir a durabilidade e induzir o aparecimento de eflorescências superficiais. Dessa forma, os sais podem aumentar o risco de corrosão das armaduras, alterando o tempo de pega do cimento e a velocidade de endurecimento.

Um processo de lavagem intensiva poderá diminuir os sais até teores aceitáveis, podendo então produzir um concreto cujos inconvenientes se restrinjam ao uso de areia fina (maior consumo de água e conseqüentemente de cimento, com cuidados adicionais na cura devido à maior suscetibilidade à retração por secagem). Nas condições mais comuns, tais concretos podem acabar sendo antieconômicos, sendo preferível "importar" areia usual. (Eng. Cláudio Sbrighi Neto, IPT-Divisão de Engenharia Civil)

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