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domingo, 6 de março de 2011

Travessia Rio Grande-São José do Norte: Empresa invade área federal e tumultua a travessia de veículos

Travessia da balsa gera confusão e novos protestos

Travessia de Veículos RG-SJN (Foto: Marcus Maciel, Diário Popular)

Na tarde de ontem (4), uma ordem ajudou a complicar ainda mais o serviço de travessia da balsa entre Rio Grande e São José do Norte. Mais de 70 carros e caminhões aguardavam na tradicional fila localizada no final da Riachuelo, no centro da cidade, quando foram surpreendidos com o comando de deixar o local em que estavam, pois a travessia iria ocorrer na área onde está instalada a CBPO, consórcio contratado pela Secretaria Especial dos Portos (SEP) para a obra de prolongamento dos molhes da barra.

As pessoas que se dirigiram à Barra foram encaminhadas para uma decepção. “O dono da empresa passou de carro em carro e nos mandou ir para lá, ao chegarmos duas travessias foram feitas e depois nos disseram que não haveria mais nenhuma balsa pro outro lado”, conta Cláudio Falqk, de Pelotas. Segundo os motoristas, a Guarda Portuária e Brigada Militar junto a outras autoridades fecharam o acesso ao local e bloquearam a passagem até a balsa. “Nossa atuação aqui foi de garantir que ninguém chegasse à balsa, já que não houve autorização para a realização do serviço”, afirmou o chefe da Guarda Portuária da Superintendência do Porto do Rio Grande (Suprg), Rafael Paranhos.

Os motoristas tiveram que voltar à Riachuelo e ficaram revoltados, iniciando uma série de reclamações em frente aos portões de acesso ao cais. Quando a balsa que normalmente faz a travessia retornou da última viagem - SJN a RG - , foi recebida com buzinas e gritaria em forma de protesto. Houve início de confronto entre funcionários da empresa concessionária e usuários.

A Brigada Militar foi chamada para controlar a situação e, em reunião com funcionários da concessionária, ficou decidida a distribuição de fichas às pessoas que estavam na fila para a travessia na primeira balsa da manhã. “A BM em consenso com o funcionário de operação da empresa, Marco Aurélio da Silva, chegou à conclusão de que não há condições de segurança para a travessia noturna. Garantimos também patrulhamento para aqueles que permanecerem aqui durante a noite”, informou o sargento Lexistão, da BM.

SUPRG

A empresa foi irresponsável ao mudar de lugar sem consultar as autoridades competentes”, declarou o superintendente do Porto do Rio Grande, Dirceu Lopes sobre o incidente. Segundo ele, a Suprg não foi consultada sobre a mudança de lugar. “Essa atitude serviu apenas para a empresa criar uma situação desagradável e, tentar garantir aquele espaço. Não é esse o método que deve ser utilizado”, afirma Lopes.

Lopes estava voltando de Porto Alegre onde esteve reunido com a Superintendência de Portos e Hidrovias e com a Metroplan justamente tratando de assuntos relacionados à travessia e à dragagem do canal Miguel da Cunha. “Fui surpreendido com essa ação. Ao chegar à cidade irei me inteirar e farei um comunicado à Metroplan sobre o ocorrido”, afirmou.

Nossa equipe tentou no local conversar com os funcionários da empresa e nenhum deles se dizia autorizado a falar. Ainda na Riachuelo, um dos funcionários da empresa não quis comentar o assunto e apenas se limitou a gesticular que não haveria mais nenhuma saída. Procurada, a empresa não atendeu as ligações e nem retornou as chamadas.

"Invasão"

O fiscal da Secretaria Especial de Portos (SEP), João Alberto Vassão, disse que a empresa F. Andreis, "por estar com problemas no seu ponto na rua Riachuelo", invadiu a área usada pelo consórcio. Ele relatou que, na manhã de ontem, a direção da F. Andreis entrou em contato com ele pedindo autorização para fazer a travessia de balsa usando o espaço da SEP e ele a orientou a fazer este pedido à secretaria em Brasília.

Por volta das 16h45min, ele deparou-se com uma fila de aproximadamente 70 carros e a balsa carregada e já atravessando para São José do Norte. Ele ligou para a SEP em Brasília e foi informado de que a empresa não tinha sido autorizada a usar a área. Vassão pediu a presença da Guarda Portuária e depois soube que o consórcio já havia chamado a BM.

Quando o fiscal proibiu a continuidade da travessia, a BM informou que a F. Andreis estava enviando a autorização para atuar no local. "A autorização apresentada foi emitida pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente, mas a Prefeitura não tem poder sobre uma área federal", afirmou. A secretária municipal do Meio Ambiente, Mara Núbia Oliveira, alega que não foi dada nenhuma autorização à empresa neste sentido. Segundo ela, a SMMA forneceu apenas o licenciamento ambiental de operação da travessia pela Barra.

Conforme Vassão, no final da tarde o consórcio CBPO estava registrando na Polícia Civil a ocorrência de "invasão de uma propriedade do governo federal". "Ela (a proprietária da empresa) alegou que a rampa era dela e não é. Foi feita para a obra dos molhes, com recursos do governo federal", salientou o fiscal. A balsa utilizada no local, de propriedade da F. Andreis, estava locada pelo consórcio e o contrato foi encerrado na manhã desta sexta-feira devido ao fim da obra de ampliação dos molhes.

André Zenobini/Carmem Ziebell

Fonte: Jornal Agora, 05/03/2011. http://tinyurl.com/4eowg2o

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