Documentação Técnica

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quinta-feira, 28 de abril de 2011

Navegação e Construção Naval

Polo naval de Rio Grande se consolida com encomendas

Atualmente estão sendo construídos nos estaleiros brasileiros embarcações que somam um total de 6,2 milhões de TPB e um quarto desse volume está sendo trabalhado no Rio Grande do Sul

Jefferson Klein

Investimentos na Metade Sul do Estado criam uma 
nova economia, voltada para atender às necessidades.
HANS VON MANTEUFFEL/DIVULGAÇÃO/JC

O Brasil, que chegou a ter um dos principais parques navais do mundo na década de 1970 viu esse setor ficar enfraquecido com o passar do tempo. Agora, motivado por uma série de programas e encomendas, realizados principalmente pela Petrobras, o segmento espera uma retomada e um grande crescimento para os próximos anos. De acordo com dados do Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore (Sinaval), apenas a demanda da estatal para os próximos dez anos prevê a construção de 40 plataformas e sistemas de produção de petróleo, 400 embarcações de apoio marítimo e 70 navios-petroleiros para fazer o transporte entre as plataformas e os terminais localizados na costa.

Ainda segundo o Sinaval, no final do ano passado eram 269 empreendimentos do setor encaminhados, que totalizavam 6,254 milhões de TPB (Tonelada de Porte Bruto – unidade que mede a capacidade de transporte de carga de uma embarcação). Esse número envolve navios-plataforma FPSO (complexo que produz e armazena petróleo), petroleiros, embarcações de apoio, entre outras estruturas similares desenvolvidas nos estaleiros nacionais. O Rio Grande do Sul, devido ao polo naval de Rio Grande, concentrava 1,12 milhão de TPB desse total, sendo superado apenas pelos estados de Pernambuco (3,072 milhões de TPB) e do Rio de Janeiro (1,571 milhão de TPB).

Em 2010, estimava-se que a indústria da construção naval brasileira gerava cerca de 56 mil empregos diretos. Se somados aos 28 mil postos de trabalho da área náutica de lazer, o total chegava a 84 mil empregos diretos. A evolução desse item na última década é expressiva, já que no ano de 2000 a área proporcionava 1,9 mil empregos diretos, sem levar em conta o segmento náutico de lazer. No ano passado estavam em construção no País 19 plataformas de produção de petróleo. Havia também 13 estaleiros em processo de implantação, expansão ou modernização em diversas regiões do País. No Rio Grande do Sul, os destaques quanto a novas iniciativas anunciadas foram o Estaleiros do Brasil (em São José do Norte) e o Estaleiro Wilson, Sons (em Rio Grande).


O presidente do Sinaval, Ariovaldo Rocha, enfatiza que o setor da construção naval é de ciclo longo de planejamento e produção. As empresas do segmento produzem um bem de capital sob encomenda, navios ou plataformas de produção de petróleo. O dirigente salienta que em todos os países onde essa cadeia produtiva tem papel de destaque existe uma forte decisão política da sociedade para auxiliá-la. Rocha lembra que a presidente da República, Dilma Rousseff, quando ainda era candidata, em um evento de maio de 2010, em Rio Grande, disse que o setor naval tem que ter decisão sistemática de apoio, de incentivo e políticas fiscais e tributárias.

Conforme Rocha, a expectativa do Sinaval é de que a política industrial para a área prossiga. “Existe um mercado claramente definido de encomendas de navios e plataformas para os próximos dez anos”, reitera o dirigente. Ele acrescenta que, na última década, o segmento demonstrou sua capacidade de investir e promover renda e emprego em diversas regiões do País.

O presidente do Sinaval aponta que, em 2011, o setor da construção naval brasileira segue produzindo empreendimentos definidos em contratos assinados em anos anteriores. São esperadas novas contratações de plataformas, navios de apoio e petroleiros. Ele recorda que foi anunciada recentemente a decisão da Petrobras de encomendar o primeiro lote de sete navios-sonda ao Estaleiro Atlântico Sul. A estrutura fica situada no Complexo Industrial Portuário de Suape, no município de Ipojuca, em Pernambuco.

Fonte: Jornal do Comércio, 28/04/2011.JC Logística

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