Documentação Técnica

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domingo, 17 de julho de 2011

Hermenegildo: Avanço do mar destrói casas

Estudo aponta que erosão encolhe a Praia de Hermenegildo, no extremo sul do Estado

Rafael Diverio | rafael.diverio@zerohora.com.br

Praia, distante 20 quilômetros do Chuí, perde dois metros de areia por ano
Foto:Nauro Júnior / Agencia RBS

No balneário, em Santa Vitória do Palmar, cerca de 30 casas já sucumbiram à força da água

Um balneário ao extremo sul do Rio Grande corre o risco de desaparecer. Perdendo dois metros de areia a cada ano, a Praia do Hermenegildo, em Santa Vitória do Palmar, distante 20 quilômetros do Chuí, encolheu e o mar já engole cerca de 30 casas.Para frear o fenômeno, pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande (Furg) propõem recriar artificialmente a praia.

Segundo o oceanólogo Lauro Calliari, do Laboratório de Oceanografia Geológica da Furg, 50% das praias do litoral gaúcho estão diminuindo. Balneários como os de Torres, Cassino e Barra do Chuí, que têm estruturas como os molhes, conseguem aumentar o acúmulo de terra. Os molhes servem de anteparo à areia, favorecendo o depósito em linha de costa.


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Calliari explica que a erosão é um fenômeno natural e ocorre em todas as praias arenosas do mundo. Porém, no Rio Grande do Sul, a intensidade das frentes frias — com ventos que ampliam a energia das ondas, em função de ciclones extratropicais — potencializam o efeito.

Hermenegildo, aponta o estudo, é o ponto mais crítico do Estado em erosão, porque as casas estão muito próximas à praia. A carência de areia chega a 1 milhão de metros cúbicos, o suficiente para encher 143 mil caminhões.

Quatro saídas poderiam salvar o veraneio de mais de 75 mil pessoas, que ocupam as 15 mil casas construídas no balneário durante os meses de verão. A primeira seria a retirada da areia do mar, com dragagem. Processo semelhante foi realizado na praia de Piçarras, em Santa Catarina, em 2008, e à época custou R$ 2,1 milhões.


Outra alternativa seria o transporte de areia do continente. Para conter o avanço da água, a construção de uma barreira de pedras seria o indicado. Um muro de contenção poderia barrar a fuga de areia. Como última opção estaria a evasão das casas próximas ao mar. Pelo menos cem casas teriam de ser realocadas. Possibilidade afastada pela maioria dos moradores que, mesmo sabendo dos riscos, preferem continuar no local.

— Gosto de morar aqui, não gostaria de sair. Dei sorte, porque minha ideia era construir na beira da praia. Um amigo que me sugeriu fazer a obra mais atrás. Se não fosse isso, não teria mais nada — diz o aposentado Almino Antunes da Porciúncula, 80 anos.

Fonte: Zero Hora, Geral.

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