Documentação Técnica

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* Engenharia de Dragagem, Sinalização Náutica, Batimetria, Projetos de Canais Navegáveis, Meio Ambiente, Cartas Náuticas, Software de Navegação, Topografia Básica e outros assuntos técnicos.

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segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Condições atuais de navegabilidade do Rio dos Sinos *

* Plano Diretor de Navegação Interior do RS - PDNI/RS

O curso fluvial do Rio dos Sinos apresenta-se praticamente nas condições naturais; em conseqüência, no presente momento, a navegação é realizada nas condições descritas no item anterior (condições naturais de navegação).

Até o presente, devido aos fatores limitativos e prejudiciais do curso d'água, a navegação fluvial é reduzida, ficando restrita a pequenas embarcações usadas em eventuais transportes de carvão e calcáreo e, merecendo maior destaque, o transporte de areia para construção.

Rio dos Sinos - Barcaças Areeiras (242 ton e 144 ton, TPB)

As atuais condições permitem uma navegação de barcos de até 200 TPB entre a foz e o Passo do Carioca (PK-40, Porto do Carioca). Embora as profundidades sejam compatíveis para maior capacidade de carga, os reduzidos raios de curvatura dos meandros impedem o uso de barcos de maior porte.


Entre o PK-40 e São Leopoldo (PK-55/PK-56), as profundidades passam a menores valores, variando entre 1,00 m e 2,00 m.

Outro fator limitativo nas condições atuais é o inadequado tirante de ar apresentado pelas pontes da RFFSA e da BR-386. Na primeira, a altura livre em águas mínimas é de 8,16 m, e em águas máximas de 3,72 m; na segunda, de 11,02 m e 4,69 m, respectivamente.

Ponte RFFSA sobre o Rio dos Sinos (PK-14,47)

Recentemente (1977), foi dragado o canal da foz do Rio dos Sinos, possibilitando a entrada de embarcações de 2,50 m de calado, demandam o Rio dos Sinos desde o Delta do Jacui. Esse depósito característico separava trechos de boas profundidades, no Delta e no Rio dos Sinos. A eliminação desse baixio garante uma continuidade de profundidades satisfatórias para o calado de 2,50 m até as proximidades do PK-27, cerca de 15 quilômetros a montante da foz.

O trecho entre a foz (PK-11,7) e São Leopoldo (PK-55/PK-56) apresenta, em síntese, as características a seguir.

Larguras Aproximadas em Estiagem -  Variáveis, entre 40,00 m e 60,00 m (desde o PK-11,7 até o PK-40), predominando larguras entre 50,00 m e 80,00 m. Variáveis, entre 20,00 m e 60,00 m (desde o PK-40 até o PK-56,8).

Profundidades - Compatíveis com o calado de 2,50 m desde a foz até o PK-27. Profundidades decrescentes entre o PK-27 e o PK-40, com uma lâmina d'água mínima entre 1,50 m e 2,00 m. A montante do PK-40, em estiagem, a lâmina d'água atinge 1,00 m em alguns pontos críticos.

Níveis Mínimos Notáveis - Entre a foz e São Leopoldo podem ser assinalados - Passo dos Sinos, com mínima observada de 0,06 m, mantendo-se em 95 % do ano igual ou acima de 0,72 m; São Leopoldo, mínima observada de 0,74 m, mantendo-se em 95 % do ano igual ou acima de 1,12 m.

Raios de Curvatura - Variáveis, entre 50,00 m, em alguns meandros, e 1.200 m, embora predominem os raios entre 200,00 m e 400,00 m desde a foz até o PK-40 (Passo do Carioca). Daí para montante continuam ocorrendo pequenos raios, com predominância entre 100,00 m e 200,00 m.

Declividades - No trecho considerado, são variáveis em função das condições de represamento, devido aos níveis no Delta do Jacui e Rio Guaíba, e das vazões. Acusam pequenos valores predominantes entre 0,6 cm/km e 2,6 cm/km.

Acidentes Notáveis - Foz (PK-11,7), Bianchini Ltda. (PK-14,30 E), Ponte RFFSA (PK-14,47), Passo dos Sinos (PK-14,53), Passo do Berto Círio (PK-18,57), Ponte BR-386 (PK-19,27), Porto da Farinha (PK-23,20 D), Volta do Junco (PK-26,75), Meandros I (PK-26/PK-37), Três Portos (PK-33,40 E), Lansul (PK-33,50 E), Siderúrgica Riograndense (PK-35,00 E), Porto Carioca (PK-40,17), Meandros II (PK-40,7/PK-54), São Leopoldo (PK-55/PK-56 E), Ponte BR-116 (PK-55,40), Ponte rodoviária antiga (PK-55,75) e Ponte ferroviária antiga (PK-56,50).

Comentário - No trecho considerado, no qual predomina a navegação de barcos transportadores de areia, as condições são variáveis, mas satisfatórias para as citadas embarcações. Com a recente dragagem da foz (1977), para 2,50 m de calado, foi possibilitado o acesso de barcaças fluviais de porte no trecho a jusante da ponte da RFFSA (PK-14,47).

Obras de Regularização por Dragagem

A interação dos fatores de ordem geo-hidromorfológica determina para o Rio dos Sinos a ocorrência de depósitos.

As profundidades satisfatórias para calados em trono de 2,50 m até as proximidades do PK-27 eram obstaculizadas pelo depósito característico na foz (PK-11,7).

A abertura de um canal retilíneo com 40 m de largura no fundo, 640 m de comprimento e profundidade de 3,50 m em águas mínimas, garante com folga o acesso de barcos de 2,50 m de calado até a ponte ferroviária (PK-14,47).

Um plano de dragagens no Rio dos Sinos, para montante do PK-27, não pode ser encarado independentemente da existência do insuficiente tirante de ar da citada ponte ferroviária e da necessidade de outros melhoramentos que eliminem os insatisfatórios raios de curvatura dos inúmeros meandros.

Pontes
  

Obras Previstas

Em conseqüência da crescente importância assumida pelo Rio dos Sinos, face à sua situação, margeando o parque industrial dos municípios de Esteio e Sapucais do Sul, entre o PK-27 e PK-37, foi feito pelo DEPRC (SPH) um estudo preliminar equacionando as melhorias das condições de navegabilidade. A continuação de tais estudos deverá conduzir a um conjunto de medidas a tomar, em prazo variável, levando em conta:

- Insuficiência do tirante de ar da ponte ferroviária (PK-14,47), apresentando uma altura livre inferior a 7,00 m em relação às águas médias;
- Dragagem para calado de 2,50 m em águas mínimas, em primeira etapa, até jusante da série de meandros;
- Escolha da alternativa de retificação, entre as hipóteses apresentadas, do trecho dos meandros entre o PK-26 e PK-37;
- Observação dos resultados, após qualquer obra, com vistas ao aprimoramento da hidrovia;
- Garantia de navegabilidade para 2,50 m de calado até o Passo do Carioca (PK-40,17);
- Estudos referentes à extensão da navegabilidade para montante por etapas, primeiramente até São Leopoldo, e posteriormente até Campo Bom e Taquara.  

Fonte: Plano Diretor de Navegação Interior do RS - PDNI/RS

NOTAS DO EDITOR

1 - A resolução do problema representado pelos insuficientes tirantes de ar das pontes, especialmente no caso da ponte ferroviária (PK-14,47), implica a construção de uma nova ponte ferroviária dotada de vão móvel. Isso é tecnicamente viável, mas provavelmente não tem viabilidade econômica (relação benefício/custo vantajosa). A construção de uma nova ponte rodoviária com vão móvel na BR-386, para substituir a atual (PK-19,27) é, com certeza, economicamente inviável;

2 -  Não existe qualquer chance de viabilidade ambiental em relação à retificação dos meandros nos trechos I, II e III (ver figura acima), pois seria uma intervenção com graves impactos ambientais na hidrodinâmica do Rio dos Sinos, com efeitos desastrosos quanto ao transporte de sedimentos e no que se refere ao regime de cheias.

3 - Matéria publicada pela primeira vez no blog em 12-11-2010.  

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