Documentação Técnica

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* Engenharia de Dragagem, Sinalização Náutica, Batimetria, Projetos de Canais Navegáveis, Meio Ambiente, Cartas Náuticas, Software de Navegação, Topografia Básica e outros assuntos técnicos.

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sábado, 13 de agosto de 2011

Encalhe do NM Santa Katarina na Bacia de Evolução do Cais Navegantes - Aspectos técnicos

NM Santa Katarina encalhado em frente do Armazém D-4 
(Foto: CP/Vinícius Roratto)

O navio graneleiro Santa Katarina, de bandeira panamenha, encalhou ontem (12) durante a manobra de giro em frente ao Armazém D-4, na bacia de evolução do Cais Navegantes. A embarcação (IMO 9425930), carregada com 14 mil toneladas de cloreto de potássio, possui 185 metros de comprimento, 32 metros de boca, capacidade de carga de 58,5 mil toneladas (DWT) e calado máximo de 12,1 metros (draught).

Nos canais navegáveis da hidrovia Lagoa dos Patos/Rio Guaíba/Delta do Jacui e nas instalações portuárias do Cais Navegantes do porto de Porto Alegre, o calado máximo autorizado pela Marinha do Brasil, em qualquer época do ano, é de 5,18 metros (17 pés), mas segundo o site www.marinetraffic.com, o NM Santa Katarina chegou em Porto Alegre com o calado de 6,5 metros ( 21,33 pés), correspondente à carga de 14 mil toneladas de cloreto de potássio.

Os navios que atracam a favor da correnteza fazem a manobra de giro a montante do Armazém D-4, em frente ao terminal Serra Morena, local em que a bacia de evolução possui a largura nominal de 420 metros, medidos desde o cais até a margem da Ilha do Pavão, porque em frente ao Armazém D-4 a área disponível é menor (a largura nominal da bacia de evolução é de 327 metros). Essas larguras são nominais, porque devem ser descontadas as distancias de segurança junto ao cais, onde estão atracadas outras embarcações e, da mesma forma, a folga até a margem da Ilha do Pavão (baixio).

Encalhe do NM Santa Katarina/Cais Navegantes (Vista Geral) 

A manobra de giro de grandes navios nessa área é uma operação crítica, tendo em vista as limitações de espaço, e em condições adversas de tempo (correnteza e vento) pode tornar-se dramática. No dia do encalhe, a régua da Harmonia apresentou as leituras de cotas 2,24 m (07:30) e 2,20 m (12:30), o que permite inferir que no horário do encalhe, aproximadamente às 10:30AM, a cota era de 2,21 m (interpolação linear).

Cais Navegantes - Vista Geral (Carta Náutica 2109) 

As causas do encalhe estão sob análise da Marinha do Brasil (fato de navegação), mas é provável que o incidente decorra da associação de vários fatores - espaço limitado da área da bacia de evolução para navios de grande porte (comprimento, largura e calado), forte correnteza no local devido ao regime de chuvas e erro humano.

Abaixo, com o objetivo de fornecer mais subsídios à discussão técnica sobre o assunto, apresentamos um texto de engenharia hidroviária da Universidade Federal de Santa Catarina, que mostra como é realizado o cálculo das dimensões de bacias de manobra (evolução) na área portuária. No texto abaixo, é possível verificar que a largura da bacia de evolução em frente ao Armazém D-4 é insuficiente para a manobra de um navio de 185 metros de comprimento, que demandaria  um raio mínimo de 378 metros, considerando-se as folgas de segurança junto ao cais e à margem da Ilha do Pavão (baixio) -  [(185 m . 1,5) + 100].

CÍRCULO DE MANOBRAS

Denomina-se círculo de manobras a superfície da zona do ancoradouro, exigida por uma embarcação para uma revolução completa, isto é, permitir a inversão do sentido de sua marcha. Esta operação poderá ser efetuada com recursos próprios (máquinas e hélices), com auxílio de âncoras e máquinas ou servindo-se de rebocadores.

Onde,

r = R . tg 30° = 0,58 . R

sendo que para zonas abrigadas e comprimento E da embarcação,

3E/2 ≤ R ≥ 7E/2

O diâmetro do círculo de manobras poderá ser calculado com base nas seguintes expressões para embarcações grandes:

2(R + E/2) = 2(0,58 . 3,5E + 0,5E) @ 5E


Quando a embarcação tiver concluída sua manobra, utilizando a âncora, fundeará ao costado no sentido do giro praticado, descrevendo um círculo cujo centro será a unha da âncora e segundo o raio correspondente ao comprimento da embarcação, convindo adotar uma margem de segurança equivalente a metade deste comprimento, conforme dedução experimental.

Quando a manobra é levada a efeito com o auxílio de dois rebocadores, agindo na popa e na proa, a embarcação girará, simplesmente, em torno de si mesma. Neste caso, o diâmetro do círculo de manobras será igual, aproximadamente, ao comprimento da embarcação, sendo todavia, prudente aumentar em meio comprimento.

Fonte: Departamento de Engenharia Civil/UFSC, Portos de Mar, Rios e Canais II.

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