Documentação Técnica

Documentação Técnica
* Engenharia de Dragagem, Sinalização Náutica, Batimetria, Projetos de Canais Navegáveis, Meio Ambiente, Cartas Náuticas, Software de Navegação, Topografia Básica e outros assuntos técnicos.

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quarta-feira, 19 de outubro de 2011

O conhecimento da batimetria dos oceanos deu segurança à navegação

por Sílvio dos Santos *

No século XIX, a morfologia do fundo dos mares e as suas profundidades eram desconhecidas, principalmente em oceano aberto, pois as medições existentes eram imprecisas e em número bastante reduzido. Desde o século XVI, alguns navegadores portugueses, tinham realizado algumas sondagens esporádicas em oceano aberto, tendo obtido resultados que sugeriam diversidade na distribuição das profundidades. No entanto, a sondagem com fio de prumo, que se utilizava na época para as grandes profundidades, era bastante demorada, trabalhosa e pouco precisa, e por isso só feita muito esporadicamente.

O conhecimento do fundo dos oceanos interessava apenas as empresas de navegação e a uma pequena comunidade de alguns cientistas, mas de um modo geral a comunidade não reconhecia qualquer interesse importante neste tipo de investimento. Neste contexto, a idéia geral instalada era a de que os fundos oceânicos profundos eram bastante aplainados e de morfologia bastante suave, e o que o mais importante era conhecer as baias, enseadas e seus canais de navegação de acesso aos portos.

A quantidade de medições de profundidade (sondagens batimétricas) em oceano aberto foi significativamente ampliada no século XIX quando começaram a serem efetuados alguns levantamentos batimétricos no Atlântico Norte e no Mar das Caraíbas. A carta batimétrica do Atlântico Norte, de Matthew Maury, publicada em 1854, foi provavelmente a primeira em que se representaram as montanhas submarinas no meio do oceano, as quais Maury denominou de "Middle Ground". Estas elevações foram mais tarde confirmadas quando dos trabalhos de mar preparatórios do lançamento do cabo telegráfico transatlântico.

A ampliação dos conhecimentos realizada cerca de meio século após a publicação do mapa de Maury é bem evidente quando se compara esta com a carta batimétrica editada em 1911, e onde é bem visível já o esboço da crista médio-atlântica.

Mapa de Maury, publicado em 1854, e carta batimétrica de 1911

Somente após a 2ª Guerra Mundial (1914-18) e que foi desenvolvida uma nova técnica para a batimetria: a eco-sondagem. Com essa técnica foi possível ter uma visão global e mais precisa da batimetria dos oceanos. A eco-sondagem baseia na emissão de um som, a partir do navio, o qual se propaga até ao fundo, sendo nele refletido. O som refletido é captado no navio, e o tempo entre a emissão e recepção é rigorosamente medido. Com o conhecimento da velocidade do som na água do mar, é determinada a profundidade no local.

O sonar é a sigla em inglês de Sound Navigation And Ranging, ou "navegação e determinação da distância pelo som". É um instrumento auxiliar da navegação marítima. Este sistema inicialmente era empregado na localização de submarinos (em guerras), mas hoje em dia é também usado no estudo e pesquisa dos oceanos (determinação de profundidades ou de depressões) e na pesca, para a localização de cardumes. O sonar permite obter imagens mais detalhadas que o ecobatímetro, pois utiliza o ultra som.

Perfis de um sonar e de um ecobatímetro

Embarcação com ecobatímetro

Referências

Leighly, J. (ed) (1963) The Physical Geography of the Sea and its Meteorology by Matthew Fontaine Maury, 8th Edition, Cambridge, MA: Belknap Press. Cited by R.D. Knowles (2005) "Transport Shaping Space", Fleming Lecture in Transportation Geography, AAG Annual Meeting, Denver, Colorado.



* Sílvio dos Santos foi gerente de Transportes Hidroviários e Marítimos da Secretaria de Infra-Estrutura de Santa Catarina e conselheiro dos CAPs dos portos de Imbituba, Itajaí e São Francisco do Sul. Mestre em engenharia pela UFSC, atualmente está cursando doutorado. Iniciou sua vida profissional como engenheiro da Cia. do Metropolitano de SP e trabalhou também na Ferrovias Paulistas S.A. (Fepasa), Ferrovia Norte Brasil (Ferronorte) e no Escritório Técnico Figueiredo Ferraz. Seus cursos de especialização em navegação fluvial, portos e ferrovias foram realizados na França com bolsa da ACTIM. Professor de Planejamento de Transportes na Poli-USP, no IME e na Universidade Católica de Santos, onde também lecionou a disciplinas Portos e Navegação Fluvial. Na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) foi professor de Ferrovias e Portos, Rios e Canais, durante o estágio de docência. Na Única, em Florianópolis, lecionou a disciplina Transportes e Seguros do Curso de Administração em Comércio Exterior. Atualmente, é engenheiro do Laboratório de Transportes e Logística no convênio da Secretaria Especial de Portos (SEP) com a UFSC. silvio@labtrans.ufsc.br

Fonte: PortoGente, 18-10-2011. Colunas/Transporte Modal

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