Documentação Técnica

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* Engenharia de Dragagem, Sinalização Náutica, Batimetria, Projetos de Canais Navegáveis, Meio Ambiente, Cartas Náuticas, Software de Navegação, Topografia Básica e outros assuntos técnicos.

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sábado, 5 de novembro de 2011

Condições atuais de navegabilidade do Rio dos Sinos *

* Plano Diretor de Navegação Interior do RS - PDNI/RS

O curso fluvial do Rio dos Sinos apresenta-se praticamente nas condições naturais; em conseqüência, no presente momento, a navegação é realizada nas condições descritas no item anterior (condições naturais de navegação).

Até o presente, devido aos fatores limitativos e prejudiciais do curso d'água, a navegação fluvial é reduzida, ficando restrita a pequenas embarcações usadas em eventuais transportes de carvão e calcáreo e, merecendo maior destaque, o transporte de areia para construção.

Rio dos Sinos - Barcaças Areeiras (242 ton e 144 ton, TPB)

As atuais condições permitem uma navegação de barcos de até 200 TPB entre a foz e o Passo do Carioca (PK-40, Porto do Carioca). Embora as profundidades sejam compatíveis para maior capacidade de carga, os reduzidos raios de curvatura dos meandros impedem o uso de barcos de maior porte.


Entre o PK-40 e São Leopoldo (PK-55/PK-56), as profundidades passam a menores valores, variando entre 1,00 m e 2,00 m.

Outro fator limitativo nas condições atuais é o inadequado tirante de ar apresentado pelas pontes da RFFSA e da BR-386. Na primeira, a altura livre em águas mínimas é de 8,16 m, e em águas máximas de 3,72 m; na segunda, de 11,02 m e 4,69 m, respectivamente.

Ponte RFFSA sobre o Rio dos Sinos (PK-14,47)

Recentemente (1977), foi dragado o canal da foz do Rio dos Sinos, possibilitando a entrada de embarcações de 2,50 m de calado, demandam o Rio dos Sinos desde o Delta do Jacui. Esse depósito característico separava trechos de boas profundidades, no Delta e no Rio dos Sinos. A eliminação desse baixio garante uma continuidade de profundidades satisfatórias para o calado de 2,50 m até as proximidades do PK-27, cerca de 15 quilômetros a montante da foz.

O trecho entre a foz (PK-11,7) e São Leopoldo (PK-55/PK-56) apresenta, em síntese, as características a seguir.

Larguras Aproximadas em Estiagem -  Variáveis, entre 40,00 m e 60,00 m (desde o PK-11,7 até o PK-40), predominando larguras entre 50,00 m e 80,00 m. Variáveis, entre 20,00 m e 60,00 m (desde o PK-40 até o PK-56,8).

Profundidades - Compatíveis com o calado de 2,50 m desde a foz até o PK-27. Profundidades decrescentes entre o PK-27 e o PK-40, com uma lâmina d'água mínima entre 1,50 m e 2,00 m. A montante do PK-40, em estiagem, a lâmina d'água atinge 1,00 m em alguns pontos críticos.

Níveis Mínimos Notáveis - Entre a foz e São Leopoldo podem ser assinalados - Passo dos Sinos, com mínima observada de 0,06 m, mantendo-se em 95 % do ano igual ou acima de 0,72 m; São Leopoldo, mínima observada de 0,74 m, mantendo-se em 95 % do ano igual ou acima de 1,12 m.

Raios de Curvatura - Variáveis, entre 50,00 m, em alguns meandros, e 1.200 m, embora predominem os raios entre 200,00 m e 400,00 m desde a foz até o PK-40 (Passo do Carioca). Daí para montante continuam ocorrendo pequenos raios, com predominância entre 100,00 m e 200,00 m.

Declividades - No trecho considerado, são variáveis em função das condições de represamento, devido aos níveis no Delta do Jacui e Rio Guaíba, e das vazões. Acusam pequenos valores predominantes entre 0,6 cm/km e 2,6 cm/km.

Acidentes Notáveis - Foz (PK-11,7), Bianchini Ltda. (PK-14,30 E), Ponte RFFSA (PK-14,47), Passo dos Sinos (PK-14,53), Passo do Berto Círio (PK-18,57), Ponte BR-386 (PK-19,27), Porto da Farinha (PK-23,20 D), Volta do Junco (PK-26,75), Meandros I (PK-26/PK-37), Três Portos (PK-33,40 E), Lansul (PK-33,50 E), Siderúrgica Riograndense (PK-35,00 E), Porto Carioca (PK-40,17), Meandros II (PK-40,7/PK-54), São Leopoldo (PK-55/PK-56 E), Ponte BR-116 (PK-55,40), Ponte rodoviária antiga (PK-55,75) e Ponte ferroviária antiga (PK-56,50).

Comentário - No trecho considerado, no qual predomina a navegação de barcos transportadores de areia, as condições são variáveis, mas satisfatórias para as citadas embarcações. Com a recente dragagem da foz (1977), para 2,50 m de calado, foi possibilitado o acesso de barcaças fluviais de porte no trecho a jusante da ponte da RFFSA (PK-14,47).

Obras de Regularização por Dragagem

A interação dos fatores de ordem geo-hidromorfológica determina para o Rio dos Sinos a ocorrência de depósitos.

As profundidades satisfatórias para calados em trono de 2,50 m até as proximidades do PK-27 eram obstaculizadas pelo depósito característico na foz (PK-11,7).

A abertura de um canal retilíneo com 40 m de largura no fundo, 640 m de comprimento e profundidade de 3,50 m em águas mínimas, garante com folga o acesso de barcos de 2,50 m de calado até a ponte ferroviária (PK-14,47).

Um plano de dragagens no Rio dos Sinos, para montante do PK-27, não pode ser encarado independentemente da existência do insuficiente tirante de ar da citada ponte ferroviária e da necessidade de outros melhoramentos que eliminem os insatisfatórios raios de curvatura dos inúmeros meandros.

Pontes
  

Obras Previstas

Em conseqüência da crescente importância assumida pelo Rio dos Sinos, face à sua situação, margeando o parque industrial dos municípios de Esteio e Sapucais do Sul, entre o PK-27 e PK-37, foi feito pelo DEPRC (SPH) um estudo preliminar equacionando as melhorias das condições de navegabilidade. A continuação de tais estudos deverá conduzir a um conjunto de medidas a tomar, em prazo variável, levando em conta:

- Insuficiência do tirante de ar da ponte ferroviária (PK-14,47), apresentando uma altura livre inferior a 7,00 m em relação às águas médias;
- Dragagem para calado de 2,50 m em águas mínimas, em primeira etapa, até jusante da série de meandros;
- Escolha da alternativa de retificação, entre as hipóteses apresentadas, do trecho dos meandros entre o PK-26 e PK-37;
- Observação dos resultados, após qualquer obra, com vistas ao aprimoramento da hidrovia;
- Garantia de navegabilidade para 2,50 m de calado até o Passo do Carioca (PK-40,17);
- Estudos referentes à extensão da navegabilidade para montante por etapas, primeiramente até São Leopoldo, e posteriormente até Campo Bom e Taquara.  

Fonte: Plano Diretor de Navegação Interior do RS - PDNI/RS

NOTAS DO EDITOR

1 - A resolução do problema representado pelos insuficientes tirantes de ar das pontes, especialmente no caso da ponte ferroviária (PK-14,47), implica a construção de uma nova ponte ferroviária dotada de vão móvel. Isso é tecnicamente viável, mas provavelmente não tem viabilidade econômica (relação benefício/custo vantajosa). A construção de uma nova ponte rodoviária com vão móvel na BR-386, para substituir a atual (PK-19,27) é, com certeza, economicamente inviável;

2 -  Não existe qualquer chance de viabilidade ambiental em relação à retificação dos meandros nos trechos I, II e III (ver figura acima), pois seria uma intervenção com graves impactos ambientais na hidrodinâmica do Rio dos Sinos, com efeitos desastrosos quanto ao transporte de sedimentos e no que se refere ao regime de cheias.

3 - Matéria publicada pela primeira vez no blog em 12-11-2010, e republicada em 29-08-2011.

Um comentário:

  1. Grande Hermes, este assunto volta e meia vem á tona na imprensa. Creio que é desejável economica e ambientalmente a navegação no Rio dos Sinos, assim como no Rio Cai, porem de dificil implantação em função dos motivos que tão bem foram colocados neste blog.
    Só não entendo por que nada fazem pela navegação no Jacui e Taquari, rios que possuem toda a infraestrutura montada e pronta para uso. Alem disso, o transporte de containers para Rio Grande, não poderia ser efetuado pela Lagoa dos Patos?? Abraços, Zilton.

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