Documentação Técnica

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quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Porto de Porto Alegre está na UTI, diz portuário

Bruno Rios
reportagem

Porto de Porto Alegre, Cais Mauá (Foto: Ricardo Stricher, PMPA)

O presidente do Sindicato dos Estivadores de Porto Alegre, Marco Antônio Oliveira de Araújo, desabafou ao Portogente sobre a situação do porto da capital gaúcha. Ele está decepcionado com o Governo Tarso Genro (PT), não vê empenho por parte das autoridades para revitalizar o complexo portuário e crava. “O Porto de Porto Alegre andava capenga, mas agora está na UTI”.


Portogente – Há dois anos o senhor disse que o Rio Grande do Sul era omisso com os trabalhadores por não dar atenção ao Porto de Porto Alegre. Isso mudou com Tarso Genro no poder?

Marco Antônio Oliveira de Araújo – Não! Acreditávamos que o Governo Tarso Genro poderia trazer novos investimentos para o porto e por isso os portuários apoiaram a candidatura, com a esperança que seu governo tivesse o devido empenho em reativar o porto. Mas hoje os usuários levam cargas para outros portos, inclusive de outros estados, por não terem apoio do governo, que infelizmente não tem uma visão empreendedora. Hoje, o Governo de Tarso Genro joga a carga para fora do Rio Grande.

Portogente – O que trava o desenvolvimento do Porto de Porto Alegre?

Marco Antônio Oliveira de Araújo – Acredito que o problema no porto da capital seja cultural, ou melhor, a completa falta de cultura. Muitos de nossos deputados estaduais nem sabem que o porto da capital ainda está ativo, e muito menos a importância de um porto no coração do Estado. É lamentável, mas o despreparo é brutal até na administração do porto.

Portogente – Ainda temos estivadores fazendo bicos em outras áreas para sobreviver? Há quantos homens na ativa hoje em dia?

Marco Antônio Oliveira de Araújo – Hoje estamos com um número reduzido de estivadores, somos pouco mais de 70. São bravos estivadores que dia a dia lutam por melhores condições de trabalho, buscando sustento dentro e fora do porto sim, mas nunca deixando de acreditar em dias melhores para o Porto de Porto Alegre, pois é o que gostamos de fazer e para o que temos preparo.

Portogente – Desde que você assumiu o Sindicato dos Estivadores de Porto Alegre, o que mudou na categoria e no porto?

Marco Antônio Oliveira de Araújo – Buscamos melhorar as condições de trabalho e renda, bem como o fortalecimento da categoria. O problema é que o Porto de Porto Alegre andava capenga, mas agora está na UTI, com equipamentos ainda mais sucateados, os canais ainda mais assoreados, sem metade de suas boias de sinalização, prejudicando a navegação e inviabilizando a navegação noturna.

Portogente – Quantas embarcações entram por mês em Porto Alegre e qual sua proposta para que mais cargas voltem a passar pelo porto?


Marco Antônio Oliveira de Araújo – Este ano teve uma média de cinco navios por mês. Tivemos uma redução de dois navios por mês. Como mudar isso? Ainda acreditamos que o melhor para o porto está na chamada Parceria Público-Privada (PPP), com instalação de terminais dentro do porto publico, pois ainda temos quatro quilômetros de costado e uma grande retroárea.

Fonte: Portogente, Portos do Brasil.

NOTAS DO EDITOR

1 - É verdade que o porto fluvial da Capital está virtualmente desativado, considerando-se a movimentação anual de cargas, inferior a um milhão de toneladas anuais, e a extensão total do Cais Navegantes (2.679 metros) e as instalações e equipamentos existentes nesse trecho portuário. Os cais Mauá e Marcílio Dias não devem ser considerados na análise do desempenho do Porto de Porto Alegre - um porque é objeto de revitalização portuária, e o outro por abrigar outras atividades. No ano passado, foram movimentadas 959.456 toneladas de carga no Cais Navegantes, o que representa uma taxa de movimentação de 358,14 toneladas por metro de cais;

2 - O Terminal Bianchini, terminal de uso privativo (TUP) localizado fora da área do porto da Capital, na foz do Rio dos Sinos (Canoas), movimentou 623.213 toneladas de carga em 2010, num cais que possui 205 metros de extensão, o que representa uma taxa de movimentação de 3.040 toneladas por metro de cais. É um desempenho 8,5 vezes (750 %) maior do que o porto da Capital, e trabalha apenas com embarcações da navegação interior - calados de até 4 metros (13 pés). Isso mostra que o desempenho do porto fluvial da Capital é pífio, praticamente de carga residual no longo curso;

3 - Mas as causas para tal decadência não residem na falta de investimentos governamentais, mas sim na mudança de escala ocorrida na economia mundial na década de 70, com reflexos no perfil da frota mercante, cujas embarcações tornaram-se maiores, a exigirem maiores calados - transporte de carga a granel, e no perfil da carga geral (unitização, contêineres). Os navios graneleiros de cabotagem, modalidade de navegação que praticamente desapareceu, exigem calados de 10 metros (33 pés), no mínimo; e os navios de longo curso demandam calados ainda maiores - 15 metros, no mínimo (50 pés). Por outro lado, nossas hidrovias são constituídas por águas rasas, para calados de até 5,18 metros (17 pés), e não existe viabilidade técnica, nem econômica, e muito menos ambiental, para qualquer aprofundamento que atenda esse tipo de demanda (cabotagem e longo curso);

4 - Ao contrário do que se imagina, os governos anteriores fizeram investimentos no porto da Capital - reforço estrutural do Cais Navegantes, implantação de linha férrea para guindastes, aquisição de guindastes (usados), instalação de defensas, obras para o sistema ISPS Code (complexo de segurança para portos de tráfego internacional), moderno sistema de balanças, e assim por diante. Ocorre que tais investimentos foram completamente equivocados, na medida que foram feitos para atender as navegações de cabotagem e de longo curso, modalidades que o Porto de Porto Alegre não tem condições de atender devido limitações dos canais de acesso (águas rasas). Houve desperdício de recursos públicos, pois tais gastos não têm qualquer chance de retorno. Foi um erro estratégico, porque portos fluviais (águas rasas), servidos por hidrovias interiores, devem estar voltados à navegação interior (embarcações de menor calado).

Ver O porto da Capital é porto de tráfego internacional de cargas?

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