Documentação Técnica

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* Engenharia de Dragagem, Sinalização Náutica, Batimetria, Projetos de Canais Navegáveis, Meio Ambiente, Cartas Náuticas, Software de Navegação, Topografia Básica e outros assuntos técnicos.

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segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Complexo Cais Mauá / b720 Fermím Vázquez e Arquitectos e Jaime Lerner Arquitetos Associados

Projeto Cais Mauá Vista Geral
Projeto Cais Mauá - Vista Geral

Arquitetos: b720 Fermím Vázquez e Arquitectos e Jaime Lerner Arquitetos Associados
Ano Projeto:2010
Área construída:203000 m²
Área do terreno:187000 m²
Localização: Porto Alegre, RS, Brasil
Fotógrafo: Cortesia Jaime Lerner Arquitetos Associados

Implantação GeralSetor Docas -  Business Park Vista Geral

Setor Armazéns - Acesso principal 1Proposta muro 2

Cais Mauá: Um Novo Porto para um Novo Tempo

O Cais Mauá se localiza contíguo ao centro de Porto Alegre, numa área aterrada de 187.000m² costeira ao lago Guaíba. Integrava a estrutura portuária que serve a capital gaúcha, mas a partir de 1970 perdeu paulatinamente relevância, sofrendo progressivo abandono.

Setor Armazéns - Acesso Principal 2

Barreiras físicas apartaram ao longo do tempo esse território do restante da cidade: o muro integrante do sistema de contenção de cheias, construído em decorrência da grande inundação de 1941, ao proteger a cidade das enchentes afastou o Cais do centro e o centro do Rio Guaíba; e a linha do Trensurb, da década de 80, que corre paralela ao muro em uma extensão considerável. Fica portanto ociosa uma porção privilegiada do território urbano adjacente ao núcleo dinâmico constituído pelo centro de Porto Alegre, que é a região que concentra grande diversidade de atividades institucionais, de comércio e de serviços, além de equipamentos culturais e espaços públicos que são referências da capital gaúcha, tais como o Mercado Público e o Centro Cultural Usina do Gasômetro.

Setor Gasômetro - Vista Geral Centro Comercial

A recuperação dessa área faz também parte de um processo maior de qualificação do centro de Porto Alegre, que compreende intervenções na área da mobilidade, turismo, da recuperação dos espaços públicos e do patrimônio histórico.

Cais Mauá- Implantação Geral

A área de intervenção do Cais Mauá foi dividida em três setores: Setor Gasômetro, com 37.000m², corresponde ao território localizado no final da Av. Mauá, em frente à Praça Brigadeiro Sampaio e ao lado da Usina do Gasômetro; Setor Armazéns, com 86.000m² e cerca de 1400 metros de waterfront para o Lago Guaíba, corresponde ao território localizado paralelamente a Av. Mauá, do Mercado Público até a Praça Brigadeiro Sampaio. Possui antigos armazéns utilizados quando ainda do funcionamento do porto. É o setor que apresenta maiores particularidades e limitantes à intervenção devido à concentração de imóveis nesta área protegidos pela legislação do patrimônio histórico.

Setor Armazéns - Acesso PrincipaL 2

Destaca-se o Pórtico Central, importado da França na década de 20, bem como seus armazéns contíguos, imóveis tombados pelo IPHAN e que integram o Programa Monumenta; e Setor Docas, com 64.000m² e cerca de 400m de waterfront, corresponde ao território localizado paralelamente à Av. Mauá, entre a rodoviária e o Mercado Público, onde estão as docas de atracação do antigo porto da cidade. Aí encontram-se grandes galpões utilizados como depósito, um antigo frigorífico e a Praça Edgar Schneider.

Setor Gasômetro - Vista Geral Centro Comercial

No Setor Gasômetro, uma âncora comercial, dialogando com o terreno de forma a não obstruir a relação com o rio, abrirá o circuito interno de animação do projeto e fará a ponte com o Centro Cultural Usina do Gasômetro e com a seqüência da Orla, fortalecendo a frente fluvial da cidade. A ligação desse setor com a Praça Brigadeiro Sampaio através do rebaixamento da Av. João Goulart permitirá uma nova ligação peatonal entre o Cais e a cidade. Por possuir boas condições de acesso veicular pela Avenida Mauá/ Avenida João Goulart, esse setor também será receptor de áreas estratégicas de estacionamento.

Setor Armazéns - Exterior Terraços e Plataformas

No Setor Armazéns é essencial que as interferências visuais sejam mínimas, buscando-se tão somente complementar e valorizar os elementos existentes em função dos novos usos incorporados – haverá áreas destinadas à cultura, lazer, gastronomia, educação, artesanato, entre outras. É um compartimento estratégico do projeto, que possibilita uma série de costuras entre o Cais e o tecido urbano circundante e que consolida um importante nó intermodal de transporte coletivo próximo à Praça Revolução Farroupilha.

Setor Docas - Detalhe Business Park

No Setor Docas, três novas torres implantadas nas duas primeiras docas formam um interessante jogo compositivo e se incorporam com elegância à silhueta da cidade, agregando usos que trazem nova vida a uma área pouco dinâmica. Essa área fica vocacionada a acolher importantes âncoras empresariais e hoteleiras do empreendimento, com a implantação do Business Park e Hotel. Ainda, devido à possibilidade de acolher fluxos viários metropolitanos e urbanos, receberá um dos principais bolsões de estacionamento. O conjunto da Praça Edgar Schneider e do antigo prédio do frigorífico, na terceira doca, será revitalizado e oferecido à população como um grande espaço para a celebração cultural e encontro da juventude.

Setor Armazéns - Cais

Novas praças farão parte do Cais Mauá, e as existentes serão valorizadas. A partir das conexões físicas e visuais que serão implantadas ao longo de todos os setores, tanto entre si quanto em sua relação com a cidade – integrando marcos culturais e arquitetônicos importantes do centro.

Setor Armazéns - Via Interna

Na construção do partido urbanístico que orientará a concepção e as ações de implantação do projeto, cinco temas foram destacados: máxima conexão com a cidade,(que busca recuperar visuais e reduzir barreiras físicas - aumentando tanto em número quanto em largura as comportas ao longo do muro e melhorando as conexões para pedestres – , incrementar as condições de mobilidade e acessibilidade (conexões com as diversas modalidades de transporte público); reabilitação e otimização do patrimônio histórico (de forma a conciliar as características básicas dos bens tombados com as novas edificações propostas sem perder de vista a integridade do conjunto existente e a possibilidade de impulsionar a revitalização do entorno); criação de um novo ícone urbano para Porto Alegre; valorização dos espaços públicos e de encontro (integrando os trajetos de praças e marcos urbanos já referidos e a nova linha de decks flutuantes que adentram ao Guaíba); e princípios de sustentabilidade (reuso da água das chuvas, a utilização de cobertura verde no Centro Comercial e na praça que cobre o novo bloco de estacionamento adjacente a Praça Edgar Schneider, a utilização de sistema de alta eficiência (LEDs) para a iluminação das áreas externas do projeto, a utilização de madeira tratada de floresta renovável em itens do mobiliário e nos decks, e na valorização da utilização do transporte coletivo para o acesso à área).

Setor Armazéns - Decks

As propostas de mobilidade e acessibilidade relacionaram as conexões a serem estabelecidas entre a área e a cidade, considerando fluxos de pedestres, veículos de passeio e de carga, o transporte público, bem como os fluxos e circulações internas entre os setores do Cais. Os fluxos para a área do projeto foram analisados em termos de sua origem (regional/metropolitano, urbano e local) e natureza (pedestres, transporte coletivo, veículos de passeio, de carga e de uso específico, como táxis e ônibus de turismo), relacionados às características de acessibilidade e uso de cada setor.

Setor Armazéns - Via Interna 1

Foram previstos seis acessos de pedestres à área do Cais.Internamente à área do projeto, a circulação de veículos será feita por uma via que liga os acessos principais de veículos no Setor Docas ao final do Setor Armazéns. Prevê-se ainda a implantação de ciclovia, predominantemente ao longo da Orla, a qual se conecta a rede cicloviária da cidade.

Setor Gasômetro - Vista Exterior Centro Comercial e Terraços

Internamente à área do Projeto estão previstas duas modalidades de transporte coletivo para atender visitantes e funcionários, aproveitando as potencialidades do sítio e reforçando a singularidade deste renovado endereço da cidade: por Bondes, condicionado aos estudos de viabilidade, cria uma conexão interna confortável entre os três setores do projeto utilizando uma modalidade de transporte silenciosa e movida à energia limpa, o que contribui para desestimular a presença de veículos de passeio individuais no interior do Cais; e Fluvial, reforça a interface “terra-água” e cria uma alternativa de mobilidade interna ao mesmo tempo em que oferece um atrativo turístico e uma maneira diferenciada de perceber a paisagem.

Setor Armazéns - Acesso Principal 1

No que diz respeito as propostas de desenho urbano e composição da paisagem, o partido adotado foi de mínima interferência, buscando valorizar as características intrínsecas dos principais elementos constitutivos da paisagem: os bens tombados, como os armazéns, os pisos graníticos, trilhos e guindastes, a nova arquitetura agregada, o cenário natural do Guaíba.

Setor Gasômetro - Tapete Verde e Acesso ao Centro Comercial

Os pisos graníticos constituem um elegante “tapete” contínuo em sua extensão protegida, pontuado pelos elementos necessários ao ordenamento seguro dos diferentes fluxos e aos quais se integram, com materiais de natureza afim, as faixas de circulação necessárias para garantir a acessibilidade universal. Decks flutuantes em madeira ampliam generosamente a área de interface com a água, criando novos percursos e perspectivas.

Proposta Detalhe Muro

Mereceu especial atenção o tratamento do muro, elemento emblemático da separação física da área do Cais e do Centro. De forma simbólica, o Guaíba voltará a banhar a cidade, derramando-se na forma de uma cortina d’água na face externa do muro, reaproximando metaforicamente as dimensões terra-água e convidando ao ingresso na área. À noite, essa torrente se converte em uma dinâmica luminária para Porto Alegre. Em sua face interna receberá tratamento visando criar um “muro verde”, através de fixação de tela metálica recoberta com vegetação.

Ficha técnica:

Arquitetos: b720 Fermím Vázquez e Arquitectos e Jaime Lerner Arquitetos Associados
Ano: 2010
Área construída: 203000 m²
Área do terreno: 187000 m²
Tipo de projeto: Urbanismo
Operação projetual: Requalificação
Status: Concurso
Localização: Porto Alegre, RS, Brasil
Implantação no terreno:Isolado

Equipe:

b720 FERMÍN VAZQUÉZ ARQUITETOS (Barcelona, Espanha)
JAIME LERNER ARQUITETOS ASSOCIADOS (Curitiba, Brasil)

Informação Complementar:

b720 FERMÍM VÁZQUEZ ARQUITETOS (Barcelona, Espanha): Peco Mulet, Francesc de Fuentes, Pablo Garrido, Paco Chocano, Ivan Arellano, Zélia Costa, Ángel Gaspar, Francisco Marques, Leonardo Novelo, Gemma Ojeda, Giuzy Ottonelli, Nicolas Perfumo, Juan Pablo Porta, Oriol Roig, Laura Rubi.
JAIME LERNER ARQUITETOS ASSOCIADOS (Curitiba): Domingos Bongestabs, Paulo Kawahara, Valéria Bechara, Fernando Canalli, Gianna De Rossi, Fernando Popp, Ariadne Daher, Fabiana Martins, Felipe Guerra, Danielle Schappo, Magali Pahl, Rodrigo Poltosi, Heloisa Strobel, Catherine Narezzi
GESTÃO DO EMPREENDIMENTO:LANDSIDE ( Madri, Espanha) Javier Arán Iglesia, Eduardo Gutiérrez BonillaGIS TRADE CENTER (Barcelona, Espanha) José Munné CostaPROACTIVA (Madri, Espanha) Miguel Hernández López, Daniel Calvo GanSPIM (Madri, Espanha) Luís Felipe Manchón ContrerasCONTERN CONSTRUÇÕES E COMÉRCIO (São Paulo) Mauro Rache Freitas, José Alberto Bethonico, Cleberson Luis Marques
MODELAGEM ECONOMICA E FINANCEIRAM. STORTTI BUSINESS CONSULTING GROUP (Porto Alegre) Maurenio Stortti, Rejane Gadonski

Área novas edificações: 203.000 m2
Área de reciclagens: 33.000 m2

Fonte: ArchDaily Brasil, http://www.archdaily.com.br.

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