Documentação Técnica

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quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

La Niña provoca maior concentração de sal na Lagoa dos Patos e deixa a água mais clara

O fenômeno natural é um dos efeitos da persistência do tempo seco

Joice Bacelo
joice.bacelo@zerohora.com.br

Uma temporada para chamar os balneários da Costa Doce de praias de águas salgadas. Fazia, pelo menos, cinco anos que a Lagoa dos Patos não apresentava níveis de salinidade tão próximos aos do oceano.

O fenômeno natural é um dos efeitos da persistência do tempo seco e tem como consequência uma boa notícia para os banhistas: praias de águas mais claras.

No Laranjal, em Pelotas, o fenômeno agrada ainda mais por ter ocorrido na mesma época em que a Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) deu parecer favorável às condições da água. A praia, que chegou a permanecer 24 anos sob a classificação de imprópria, tem 10 pontos liberados para o banho.

— Não dá mais para dizer que precisa sair daqui porque aqui não tem mar — avalia Aluizio Nazareth Costa Júnior, 31 anos, que mora no Laranjal e pratica canoagem na lagoa há quase um ano.

La Niña provoca maior concentração de sal na Lagoa dos Patos e deixa a água mais clara Nauro Júnior/Agencia RBS
Na praia do Laranjal, em Pelotas, a Fepam considerou a água 
própria para banho em 10 pontos. Foto: Nauro Júnior/Agencia RBS

Com o efeito da salinização, é como se um mar sem ondas se formasse pelos quase 110 quilômetros de praia da Lagoa dos Patos.

Nos balneários dos cinco municípios que formam a Costa Doce — Barra do Ribeiro, Tapes, Arambaré, São Lourenço do Sul e Pelotas — são semelhantes os índices de salinidade que foram coletados pela equipe do doutor em Oceanografia e professor da Universidade Federal do Rio Grande (Furg), Osmar Möller.

Neste verão, a concentração na Lagoa dos Patos subiu de zero para 20 partes de sal por mil partes de água. Índice considerado altíssimo pelo especialista, que utiliza como medida comparativa os níveis encontrados nas praias oceânicas, onde, em média, a variação é de 32 a 34 partes de sal por mil partes de água.

O último ano em que esteve tão alto o índice foi 2007, quando foram registradas 28 partes de sal por mil partes de água.

— Esse fenômeno natural é um dos efeitos do La Niña, que combina tempo seco com maior incidência de vento sul e tem como resultado o deslocamento de uma grande quantidade de água salgada do oceano para as praias da laguna.

Está bom mesmo para os veranistas, que devem ter percebido uma água mais clara, efeito visível da entrada dessa grande quantidade de água salgada na Lagoa — diz Osmar Möller.

Fonte: ZERO HORA, Verão.

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