Documentação Técnica

Documentação Técnica
* Engenharia de Dragagem, Sinalização Náutica, Batimetria, Projetos de Canais Navegáveis, Meio Ambiente, Cartas Náuticas, Software de Navegação, Topografia Básica e outros assuntos técnicos.

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sábado, 18 de fevereiro de 2012

A CIDADANIA QUE NAVEGA NA HIDROVIA...

Na esteira do post anterior, se um exemplo vale mais que um bom argumento, melhor ainda são dois bons exemplos. Então, depois de abordar a travessia Porto Alegre - Guaíba, no Rio Grande do Sul, como parceria inteligente do Estado com a iniciativa privada para prestação de um serviço público essencial, que vai além do simples deslocamento de pessoas, damos um giro de 180º e vamos ao norte do país, na Amazônia, onde se tem outro caso de sucesso no uso da hidrovia: a Agência-barco da CAIXA.

Trata-se de ação estratégica de uma empresa essencialmente pública, mas que se submete também a regras do mundo privado na competição por mercados. Seu slogan atual “a vida pede mais que um banco” embala a missão de levar inclusão bancária e social para toda a população brasileira, e de modo especial, àquelas mais carentes de políticas públicas efetivas. Assim, mais do que produtos bancários e benefícios essa nova idéia leva, pela hidrovia, sementes de cidadania e de dignidade aos rincões mais longínquos e sofridos de nosso país continental. Vale frisar, dignidade que começa quando se é lembrado como brasileiro.

Agência-barco possui modernos conceitos de sustentabilidade
em sua construção e operação. (Foto Divulgação CEF)

Nesse contexto, ao final de 2010, a CAIXA inaugurou a primeira embarcação dedicada a uma agência bancária no Brasil. Batizou-a de Chico Mendes, em homenagem ao famoso líder e ativista ambiental que lutou brava e tragicamente até a morte pela preservação da floresta amazônica. A agência-barco tem 1200 m² e autosuficiência para navegar por 23 dias seguidos. Apresenta capacidade de transporte de 65 pessoas, entre tripulação e empregados habilitados para o atendimento a comunidades ribeirinhas, tanto na área comercial quanto na social do banco.

Ainda no tocante a embarcação, sua construção e operação observa conceitos modernos de sustentabilidade, uma vez que dispõe de recursos de acessibilidade para pessoas com necessidades especiais ou mobilidade reduzida, para idosos e gestantes. Conta com sistema de coleta seletiva de lixo e de reciclagem, casco pintado com tinta atóxica, rede de iluminação que economiza energia, e uma estação própria para tratamento de efluentes de esgoto, a qual permite lançar, no rio, água 100% tratada.


O projeto, que começou no rio Solimões, no trecho Manaus-Coari, compreende os municípios de Careiro da Várzea, Iranduba, Manaquiri, Manacapuru, Anamã, Beruri, Anori e Codajás. Conforme dados do IBGE, essa região possui cerca de 153 mil habitantes (aproximadamente 4% da população do estado do Amazonas). Uma área que somada alcança 53 mil km², num território maior que a Suíça. Assim, nesse primeiro ano realizou milhares de atendimento em abertura de contas corrente, poupança e outros produtos bancários, bem como em programas sociais como Bolsa Família, Cartão do Cidadão, saque do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), cadastramento no Programa de Integração Social (PIS), entre outros.

Tenho orgulho em falar da CAIXA, não apenas por ter sido seu empregado por quase uma década, mas por sua envergadura e importância para a sociedade e especialmente, pelas pessoas dedicadas que fazem parte da sua força de trabalho e vem mudando positivamente a imagem dessa instituição centenária. Atuando agora na área de regulação e desenvolvimento das hidrovias brasileiras maior ainda é a minha satisfação em vê-la inovar e fazer história nesse segmento, a partir de uma combinação habilidosa de suas estratégias de negócio com o uso do imenso potencial hidroviário do país.

Vamos torcer para que o projeto tenha cada vez mais sucesso, e em breve se encontre estendido para outras hidrovias, seja na própria Amazônia, seja em outras regiões do Brasil, permitindo que o objetivo de inclusão bancária e social viabilize também ações de promoção à saúde, à educação e à proteção ambiental. Enfim, que de algum modo esse modelo sirva de referência para outras iniciativas e que contribua, imediata e efetivamente, para o desenvolvimento socioeconômico de nossa nação, há séculos, tão almejado.

Por Jose Allama

Fonte: O Blog da Hidrovia, http://blogdahidrovia.blogspot.com

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