Documentação Técnica

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* Engenharia de Dragagem, Sinalização Náutica, Batimetria, Projetos de Canais Navegáveis, Meio Ambiente, Cartas Náuticas, Software de Navegação, Topografia Básica e outros assuntos técnicos.

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quarta-feira, 28 de março de 2012

1.ª Feira do Polo Naval - Seminário discutiu futuro da indústria de construção naval brasileira

Prolongar os efeitos do surto de industrialização provocado pelo Polo Naval não apenas em Rio Grande, mas em todas as regiões do País em que houve investimentos. Esta foi a questão apresentada por especialistas durante o painel Desafios Tecnológicos – Naval e Offshore, que integrou a programação do Navtec na sexta-feira, 23. A resposta? Investimento em educação, pesquisa e tecnologia. Com esses elementos, será possível manter a indústria naval competitiva mesmo depois de serem entregues todas as encomendas da Petrobras e de o ciclo de exploração do petróleo entrar em declínio.

Comparando a indústria naval, já instalada no Brasil, com as concorrentes asiáticas, o professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Floriano Martins Pires afirmou que, antes de a demanda diminuir, o País precisa garantir a longevidade dessa indústria por meio de políticas específicas para o setor. Segundo ele, as principais ameaças são a ausência de políticas integradas para o incentivo da pesquisa e do desenvolvimento em tecnologia, a falta de mobilização da indústria para buscar as suas demandas e a dispersão dos recursos destinados à pesquisa e ao incremento do potencial de inovação.

Para Floriano, a indústria naval brasileira está ligada, neste primeiro momento, às encomendas feitas pela Petrobras, que exigem o conteúdo local como parte de seus projetos. Isto garante, no mínimo, 20 anos de trabalho. O problema é o final deste programa governamental. Caso o Brasil não seja competitivo com os demais estaleiros do mundo, as empresas nacionais serão engolidas pela concorrência. “O Estaleiro Ouhua, na China, demorou 18 meses desde o início de sua construção até a entrega do primeiro navio. Com programas de encomendas que demoram quatro, cinco anos, nossas perspectivas ficam comprometidas”, alertou Floriano.

Um dos entraves que ainda separa os polos navais brasileiros da eficiência dos principais estaleiros do mundo é a produção de tecnologia e inovação. Para se ter uma ideia, o Centro de Pesquisa do Estaleiro Hyundai, na Coreia do Sul, possui 150 pesquisadores, entre eles, 50 doutores – todos com as atenções voltadas para o desenvolvimento de soluções para aumentar a competitividade da construção naval.

Estaleiros coreanos Samsung trabalham em projetos de navios especiais
Foto: Divulgação/Samsung

A indústria naval brasileira, que foi praticamente sucateada a partir da década de 1980, possui atualmente quatro polos. O mais antigo e mais estruturado no Rio de Janeiro, o segundo colocado no Rio Grande do Sul e os demais em Pernambuco e Santa Catarina. De acordo com o presidente da Associação Brasileira das Empresas de Construção Naval e Offshore (Abenav), Augusto Mendonça, os estaleiros no Brasil têm, atualmente, capacidade de processar 570 mil toneladas de aço por ano, empregando 56 mil pessoas – seis mil delas estão no RS. E há muito mais espaço para o crescimento. “O Brasil tem uma reserva importante, com a camada pré-sal, que o deixará entre os principais produtores mundiais”, salientou Mendonça.

Pelas contas da Abenav, em 2020, o setor extrairá o equivalente a seis milhões de barris de petróleo, com um faturamento anual estimado em U$ 20 bilhões. As indústrias, então, contarão com cerca de 100 mil trabalhadores. “Precisamos fazer com que esta cadeia seja competitiva com cada vez mais fornecedores operando no Brasil, com tecnologia atualizada e dentro de custos internacionais compatíveis”, afirmou Mendonça.

Ao comentar os investimentos a serem feitos em São José do Norte pelo Estaleiro EBR, o presidente da EBR, Alberto Padilha, alertou para os gargalos e os desafios enfrentados pelo grupo para um empreendimento dessas dimensões. “Estamos a caminho de um novo estaleiro com área de 1,5 milhão de metros quadrados, com capacidade de processamento de aço estimada em 110 mil toneladas por ano. Com isso, a primeira realidade que enfrentamos é a de que não existem trabalhadores especializados em número suficiente”, ressaltou. De acordo com ele, os treinamentos, mesmo em ritmo acelerado, não vencem a demanda. “A velocidade de formação é lenta”, completou.

Preparar 60 mil novos técnicos, até 2014, para atender as necessidades do Polo Naval. Esta é a conta feita pelo presidente da Quip, Michelangelo Thomé, para quantificar o déficit de mão de obra que atinge a indústria. Segundo ele, dentro de uma planta, 52% dos profissionais são técnicos com formação básica, 26% são técnicos com mais de 200 horas de experiência, 19% são técnicos de nível médio e somente 3% são de nível superior. Isto demonstra onde está o gargalo da mão de obra. “É por isso que a academia é tão importante, ao compreender as necessidades da indústria”, ressaltou.

Ao comentar os desafios que se colocam diante da indústria naval brasileira, o presidente da Engevix/Ecovix, Ivo Dworschak, lembrou o longo caminho tecnológico que ainda precisa ser percorrido ao lado das universidades brasileiras e das políticas governamentais de apoio à pesquisa. “Ainda estamos atrás da Coreia e do Japão, nas nossas melhores projeções, pois nosso parque tecnológico foi sucateado. Temos que aprender com as lições do passado para dar mais longevidade e buscar alternativas após a passagem do ciclo”, finalizou.

Fonte: Jornal Agora, Rio Grande. NAVTEC

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