Documentação Técnica

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* Engenharia de Dragagem, Sinalização Náutica, Batimetria, Projetos de Canais Navegáveis, Meio Ambiente, Cartas Náuticas, Software de Navegação, Topografia Básica e outros assuntos técnicos.

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domingo, 11 de março de 2012

Obras causam acidentes e encalhes no Guaíba

Eduardo Nunes
eduardo.nunes@zerohora.com.br

Bancos de areia se formam pela dragagem de área por onde passará a tubulação
Foto: Ronaldo Bernardi/Agencia RBS

A obra do Projeto Integrado Socioambiental (Pisa), que vai ajudar a despoluir o Guaíba, vem produzindo um dano colateral: a formação de bancos de areia que colocam em risco a navegação costeira na zona sul da Capital.

Esses bancos, que surgem em decorrência da dragagem feita para acomodar a tubulação que levará esgoto até a futura estação de tratamento da Serraria, têm provocado acidentes e encalhes.

De acordo com o instrutor de vela Marcelo Lopes, é comum que navegadores ocasionais se envolvam em acidentes ao transitar com seus barcos próximo aos pontos por onde passarão os dutos.

— Já vi muita gente batendo e pedindo socorro pelo rádio. Todo final de semana alguém fica preso num banco desses — afirma Lopes.

Navegadores costumam se envolver em acidentes por causa dos bancos de areia
Foto: Ronaldo Bernardi/Agencia RBS

Um acidente grave pode ocorrer se um barco ou uma lancha — que pode se deslocar a mais de 80 km/h — bater em um desses obstáculos, segundo o instrutor. O problema, explica o comodoro do Clube Jangadeiros, Renê Garrafielo, não são os bancos que aparecem na superfície e podem ser avistados à distância, mas os depósitos de areia que ficam submersos a baixa profundidade. Esses obstáculos, alerta Garrafielo, não estão bem sinalizados.

Em dezembro de 2011, a família do funcionário público e velejador amador Luiz Augusto Lebsa sentiu o perigo que espreita os navegantes sob a superfície. Ele conta que voltava para o Jangadeiros no fim de uma tarde de domingo, acompanhado da mulher e da filha Gabriela, quando o seu veleiro, o Bons Ventos, bateu em um banco de areia submerso. Com o baque, Gabriela foi arremessada contra um anteparo e quebrou um dedo do pé.

— Em decorrência do fato, perdi a tripulação, que ficou em pânico com a situação, não querendo mais velejar — lamenta Lebsa.

Se a comunidade náutica protesta contra a falta de segurança trazida pela obra do Pisa, o poder público trata a situação como um problema temporário e garante que medidas serão tomadas para restaurar a navegabilidade original da área.

Procurado por ZH, o Departamento Municipal de Água e Esgoto (Dmae), responsável pela instalação da tubulação, se manifestou por nota, afirmando que o licenciamento ambiental da obra prevê o acompanhamento dos bancos de areia por 90 dias após o fim da dragagem, para verificar se os depósitos se ajustarão naturalmente ao leito normal do Guaíba. Se isso não ocorrer, os sedimentos serão acomodados no fundo do lago com máquinas.

Marinha emite aviso aos navegantes

O delegado da Capitania dos Portos em Porto Alegre, capitão-de-fragata Jayme Tavares Alves Filho, diz que a Marinha acompanha o caso e realiza inspeções periódicas para verificar a sinalização dos bancos de areia. Ele frisa que os depósitos de sedimentos estão marcados com boias.

O comandante Jayme diz que os navegadores amadores estão agindo por sua própria conta e risco. Conforme o militar, o curso mais adequado para se navegar no Guaíba é o canal principal, com profundidade de seis metros, e a área mais próxima da costa oferece perigo naturalmente, por ser mais rasa.

— Se você tem uma estrada pavimentada e uma estrada de chão batido e prefere ir pela de chão batido, você vai reclamar quando estraga o amortecedor em um buraco? — pondera o militar, que acrescenta que a Capitania dos Portos emite regularmente um boletim chamado "Aviso aos Navegantes", transmitido por rádio e enviado aos clubes, que deve ser consultado por todos os condutores de embarcações antes de começar a navegar.

Smam autua clube por depósito de areia

No fim de 2011, para tentar evitar que a formação de bancos de areia pela obra do Pisa comprometesse a navegabilidade do canal de entrada e saída de barcos do Clube Jangadeiros, o comodoro da entidade, Renê Garrafielo, sugeriu ao Dmae que os sedimentos fossem depositados junto à área do clube, em terra firme.

Garrafielo afirma que a medida seria temporária e a areia poderia ser colocada de volta no leito do Guaíba após a instalação da tubulação. Por isso, diz ter se surpreendido quando, em fevereiro, o clube foi autuado pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Smam), que entendeu que o depósito de areia consistia em um aumento não autorizado da área do Jangadeiros, que poderia ser punido com multa de R$ 100 mil.

Depois de reuniões entre representantes da secretaria e do clube, a situação foi resolvida. Conforme o superintendente de Praças, Parques e Jardins da Smam, Mauro de Moura, foi esclarecido que a areia depositada junto à área do clube será removida após a conclusão da instalação da tubulação.

COMENTÁRIOS

Josiene Menezes Paim
Os bancos de areia formados pela obra do PISA devem ser sinalizados com urgência! Todos queremos o rio despoluído e usá-lo para navegação com segurança! Lamentável a declaração do capitão de fragata da Marinha.
09/03/2012 | 20h05

José Truda Palazzo Jr.
É a cara do que restou da nossa gloriosa Marinha: burocratas incompetentes, acomodados com a falta absoluta de meios para assegurar a segurança da vida no mar e vias navegáveis, dizendo besteira pra tapar o sol com a peneira.
09/03/2012 | 15h39

Augusto Lebsa
Gostariamos tbm de poder visualizar as "citadas" boias que estao sinalizando os novos bancos de areia que nas proprias fotografias da reportagem nao aparecem?
Isto é descaso!
09/03/2012 | 13h55

Augusto Lebsa
Interessante a declaração do delegado da Capitania dos Portos, Jayme Tavares Alves Filho, ao se referir navegadores amadores, que estariam agindo por sua própria conta e risco, como assim? O famoso canalete do Guaiba onde ha anos todos velejadores navegam, esta impraticavel.
09/03/2012 | 13h52

Hermes Vargas dos Santos
O representante da DMAE está mentindo, pois o CONTRATO estabelece que os entulhos deverão ser removidos e a calha reaterrada. Enquabto os entulhos não forem removidos, devem ser sinalizados (Normam-11). Ver Hidrovias Interiores - RS.
09/03/2012 | 11h28

PRA
Esperamos realmente que nenhum dano dessa natureza seja definitivo. Queremos um lago limpo, bonito, de preferência com vida e navegável. Imagino barcos, veleiros e até cruzeiros atracando no nosso porto futuramente. O sonho é livre.
09/03/2012 | 09h46

Hermes Vargas dos Santos
O capitão da Delegacia da CP/RS perdeu uma excelente oportunidade de ficar quieto, para evitar falar bobagens. Com essa manifestação, ele demonstra desconhecer as próprias normas da Marinha, em especial a Normam-11, que trata de dragagens em águas navegáveis sob a jurisdição brasileira.
09/03/2012 | 09h24

Fonte: Zero Hora, Rota de Colisão.

Um comentário:

  1. A verdade é que o Clube Jangadeiros fez um acerto com a empresa para que colocassem esta areia ali, aumentando assim a area do clube, achando que nao seria descoberto, o q nao aconteceu, a empresa responsavel esta em tratativa com terceiros para desfazer o feito, resumindo, sao tudo lobos, o Jangadeiros achava que seria beneficiado novamente mas se deu foi é mal

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