Documentação Técnica

Documentação Técnica
* Engenharia de Dragagem, Sinalização Náutica, Batimetria, Projetos de Canais Navegáveis, Meio Ambiente, Cartas Náuticas, Software de Navegação, Topografia Básica e outros assuntos técnicos.

* Os leitores poderão ter acesso e fazer download do material na parte inferior desta página.

domingo, 29 de abril de 2012

Cisne Branco pode deixar de transportar turistas em Porto Alegre

Novo projeto de revitalização da orla não prevê o serviço

Barco não tem para onde ir devido às proporções
Crédito: Paulo Nunes

Presente na área do Cais Mauá há duas décadas, o tradicional barco Cisne Branco pode deixar em breve a orla do Guaíba, em Porto Alegre. O motivo da saída é uma notificação enviada pela Superintendência de Portos e Hidrovias (SPH) em razão de uma determinação da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), estabelecendo que nenhuma empresa poderá permanecer nos armazéns do cais, já que o projeto de revitalização prevê a entrega do local desocupado.

Mas, provavelmente na próxima semana, após o feriado, o impasse poderá ter um desfecho, ainda desconhecido. "Não conseguimos admitir como os governantes e o próprio Consórcio Porto Cais Mauá pensam em revitalizar o Porto, devolvendo o lago para a cidade, sem embarcações de turismo que fomentem a atividade no local e podem contribuir para que a população usufrua de nosso manancial hídrico", diz, inconformada, a proprietária da embarcação, Adriane Hildig.

Segundo ela, se nada for feito, o barco, que transporta cerca de 4 mil pessoas por ano, deixará de prestar o serviço de turismo. Adriane conta que a prefeitura, via Secretaria de Turismo e Gabinete de Assuntos Especiais (GAE), está tentando encontrar novo local no projeto Orla, mas a tarefa não é simples nem rápida. "O prazo para ficarmos no Cais expirou na segunda-feira, mas o município intercedeu e ainda estamos aqui, por um tempo não sabido", afirmou a proprietária. 

O secretário do GAE, Edemar Tutikian, confirma a informação. "Solicitamos prorrogação do prazo para desocupação do espaço, tendo em vista as negociações que a prefeitura vem fazendo para buscar novo local. Mas não podemos atuar na área que não nos pertence", diz Tutikian. Segundo Adriane, que também é vice-presidente da Associação do Turismo Náutico do Estado, não há outro lugar que o barco possa ir além daquele em que já está.

Ele avalia que não é possível atracar junto à Usina do Gasômetro com os demais barcos, pelo tamanho e pelo baixo calado (profundidade do canal). "Nos traz preocupação essa medida, pois a situação está contornada por enquanto, mas não sabemos como honrar nossos compromissos, já que não temos certeza do futuro. De qualquer forma, essa ação vai eliminar um ponto de embarque e desembarque do turismo fluvial que vem sendo trabalhado há 20 anos e limitar a atividade do turismo náutico a embarcações menores que o Cisne Branco", explica Adriane. 

A SPH afirma em nota que, se a secretaria não cumprir a determinação da Antaq, o Estado poderá ser multado em até R$ 200 mil. Pelo contrato de revitalização, não é mais possível a exploração dessa área nem pela secretaria nem pelo consórcio que administrará o local. A SPH diz que tem procurado solucionar o impasse.

Projeto vai passar por avaliações


A Prefeitura de Porto Alegre recebeu, nesta semana, o projeto de paisagismo e arquitetura da revitalização da Orla do Guaíba produzido pelo escritório Jaime Lerner. Antes da licitação para a contratação da obra, o projeto passará por avaliações de diversas secretarias municipais, como de Meio Ambiente, Indústria e Comércio, Obras, Planejamento, Cultura e Esporte. Apesar de ainda não ter valor definido, todos os custos do projeto serão cobertos pela prefeitura.

Ao todo, a revitalização da Orla do Guaíba compreende uma extensão de 5,9 quilômetros, mas a primeira etapa do projeto abrange 1,5 quilômetro, com início na Usina do Gasômetro e seguindo no sentido da zona Sul.

O prefeito José Fortunati afirmou que depois da análise de viabilidade pelas secretarias a licitação deve ser lançada. A expectativa é que isso ocorra até o fim de julho, com o início das obras ocorrendo no segundo semestre.

O urbanista Jaime Lerner afirmou que o objetivo do projeto, denominado "Parque Urbano da Orla do Guaíba", é valorizar a relação da população com a orla, em especial com o pôr do sol, considerado o cartão-postal da cidade. Para Lerner, não foi um trabalho fácil, pois trata-se de uma região emblemática que reúne diferentes públicos.

Ele explicou que a parte mais complicada foi a área do píer, onde ficarão os barcos de passeio e uma bilheteria. Outro cuidado especial, segundo Lerner, foi destinado à praça Júlio de Castilhos, muito utilizada pelos moradores da região central. "Não poderíamos fazer nenhuma mudança drástica, então tivemos alguns cuidados, de maneira a melhorar o aproveitamento do local", explicou.

Muita água e pouca visibilidade

Porto Alegre tinha muita água, mas poucos podiam desfrutar disso, a não ser os sócios de clubes náuticos ou pescadores. O nascimento do Cisne Branco foi a oportunidade de os porto-alegrenses e turistas poderem desfrutar das águas do Guaíba, em vez de apenas contemplá-las. A empresa de turismo Orgatur foi a responsável por viabilizar a iniciativa, com apoio do Serviço Municipal de Turismo, que viraria depois Epatur e atualmente é Secretaria Municipal de Turismo.

Houve duas inaugurações do barco, que começou a ser construído em 1976. A primeira foi a viagem Porto Alegre - Rio Pardo, em que o então secretário estadual de Turismo, Mário Bernardino Ramos, participou e aprovou. A outra, num dia cálido de março de 1978, teve a bordo a música de Plauto Cruz. O Cisne Branco, por seus idealizadores Gabriel e Alfonso Hildig, venceu muitas guerrilhas e etapas. Graças a eles, a empresa então localizada na esquina da General Câmara com Andrade Neves, conseguiu "vender" a Capital a turistas que queriam conhecer o Guaíba. Agora, perdem para uma Parceria Público-Privada, liderada por espanhóis.

Com informações de Jurema Josefa

Fonte: Correio do Povo, Geral.

NOTA DO EDITOR

O barco Cisne Branco possui 40 metros de comprimento, 7 metros de boca e calado de 1,80 metros, com capacidade de transporte de 200 passageiros e 20 tripulantes. O calado no atracadouro existente junto à Usina do Gasômetro é insuficiente, e uma eventual dragagem de aprofundamento do local é problemática devido à existência da pedra do Gasômetro, que se estende até o cais. Por que o Cisne Branco não pode continuar operando no local, se isso só depende do Consórcio Porto Cais Mauá? A imissão de posse de toda a área em favor do referido consórcio foi publicada em 29 de fevereiro passado no Diário Oficial de Porto Alegre.

Nenhum comentário:

Postar um comentário