Documentação Técnica

Documentação Técnica
* Engenharia de Dragagem, Sinalização Náutica, Batimetria, Projetos de Canais Navegáveis, Meio Ambiente, Cartas Náuticas, Software de Navegação, Topografia Básica e outros assuntos técnicos.

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segunda-feira, 14 de maio de 2012

Águas baixas no Rio Jacuí - O conceito de "estiagem de projeto"

As cotas referidas na matéria publicada ontem (13/5), de que o rio Jacuí diminuiu seu nível para 4,5 metros, e que o nível "normal" (médio) seria de 7 metros (nível "normal"), referem-se a altitudes da superfície da água em relação ao nível médio do mar, e não a profundidades do rio, que variam de margem a margem e ao longo do mesmo. É comum entre os leigos essa interpretação equivocada, de confundir nível da água (cota de altitude, altura) com profundidade. Para esclarecer melhor essa questão, através de um exemplo prático: o rio Jacuí nasce na região de Passo Fundo, onde a altitude é da ordem de 700 metros acima do nível do mar; então, para um nível d'água de 700 metros, poderemos ter profundidades variáveis, de zero até 3 metros de profundidade, por exemplo. Nessa circunstâncias, uma diminuição do nível do rio para 698 metros representa uma brutal redução, de 2 metros, nas profundidades disponíveis para navegação e outros usos da água.


Os canais navegáveis do rio Jacuí no trecho próximo a Rio Pardo (Canal do Portão) são projetados para proporcionar um calado de 2,5 metros em estiagem; isto é, quando a superfície da água estiver no pior cota (altura) em relação ao nível médio do mar. O valor histórico usado pela SPH para o nível de estiagem é de 5,20 metros (média das mínimas), para garantir uma profundidade de 3 metros (calado de 2,5 metros) nos canais de navegação. De acordo com a notícia de ontem (13/5), no trecho considerado o nível do rio Jacuí baixou para 4,50 metros, representando uma redução de 0,7 metros na profundidade disponível nos canais de navegação; então a profundidade nesses canais passou a ter 2,3 metros (calado de 2 metros, no máximo).

Chata SH-7 e Lancha Tramandaí

Os valores atualizados para os níveis médios e mínimos do rio Jacuí, logo abaixo da barragem de Dom Marco, são os que aparecem nas figuras que seguem, de acordo com os cálculos que realizei utilizando o programa HIDRO da Agência Nacional de Águas (ANA) com dados da estação 85681000 (DNIT) no período de 1971-2011 (40 anos). Os cálculos indicam uma estiagem de projeto de 5,54 metros (média das mínimas) e um nível médio de 9,84 metros (média das médias), conforme pode ser observado nas figuras mostradas abaixo.

Bote Hidrográfico DEP (Rio Jacui, 2008)

A situação, no entanto, é mais grave, pois de acordo com informações que obtive ontem de manhã (13/5) junto aos técnicos da SPH, que estão fazendo levantamentos batimétricos entre os canais Volta dos Pelados e Manoel Joaquim, é de que o nível (altitude) do rio está na cota 3,64 metros nesse trecho. Em consequência, a profundidade disponível atualmente nesses canais de navegação é de apenas 1,44 metros (redução do nível = 5,20 m - 3,64 m = 1,56 m; profundidade resultante = 3 m - 1,56 m = 1,44 m). Isso significa que, nessa situação, o rio pode ser atravessado a pé. O trabalho de batimetria está sendo executado pelos técnicos José Maurílio Paz (Topógrafo) e Eduardo Silva Alves (Geógrafo), com o bote hidrográfico DEP e apoio da equipe das embarcações LR Tramandaí e Chata SH-7.

2 comentários:

  1. Eng. Hermes estamos agradecidos pela reportagem sobre o trabalho da SPH no Jacuí, em breve vamos ter fotos da atual situação do Jacuí na região de Rio Pardo.

    Abç: Equipe DEP/SPH.

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  2. Eu é que sou agradecido por ter trabalhado com vocês aí na DEP, foram os melhores anos da minha vida profissional na SPH. Tecnologia,profissionalismo e amizade. Vejam só: a matéria que postei a respeito desse trabalho da DEP recebeu 430 visitas em apenas um dia. Foi o maior número de visitas diárias do blog desde a sua criação há dois anos e 5 meses. Mandem essas fotos, o resto é comigo!

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