Documentação Técnica

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* Engenharia de Dragagem, Sinalização Náutica, Batimetria, Projetos de Canais Navegáveis, Meio Ambiente, Cartas Náuticas, Software de Navegação, Topografia Básica e outros assuntos técnicos.

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quinta-feira, 3 de maio de 2012

Parque Estadual Delta do Jacuí agoniza em meio ao descaso


Um dos pontos mais belos de Porto Alegre, o Parque Estadual do Delta do Jacuí sofre. E não é por falta de fiscalização. Os guarda-parques, sem estrutura, ainda tentam conter os avanços das invasões e da especulação imobiliária. O problema é que aparentemente ao Governo Estadual não interessa a revitalização e uso do Parque. 

Criado por decreto em 1976, o Parque Estadual do Delta do Jacuí foi regulamentado como Área de Porteção Ambiental em setembro de 2004. Durante todo este tempo, apenas o governo Olívio Dutra deu a merecida atenção ao Delta. Com uma vista privilegiada para o Centro Histórico, as ilhas agonizam pelos maus cuidados. 

Francisco Milanez, presidente da AGAPAN (Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural), comenta: “A criação do Parque foi uma luta enorme da AGAPAN. Infelizmente desde que foi criado nunca teve investimento. No Pró-Guaíba, onde eu fui conselheiro, conseguimos uma verba. Mas igual foi muito pouco. O problema é que ele vem sido invadido e destruído. Nenhum lugar do mundo tem uma área dessas no centro da cidade. E estamos deixando deteriorar por causa da especulação imobiliária e das invasões, de gente que não tem onde morar, o que é triste, mas que acaba invadindo um local de preservação. Mas o principal dano quem faz é a especulação imobiliária.” 

Um dos líderes de sua categoria, o Agente Florestal Alexandre Gomes é guarda-parque no Delta do Jacuí. Sua desilusão é imensa. “O parque está com sua estrutura totalmente defasada. Todos os veículos oficiais que temos para fiscalização e transporte estão parados por falta de manutenção ou condições mínimas. São carros e camionetes, sem condições de atuar. São problemas mecânicos, falta de estepe e extintor de incêndio. E o pior é que nas blitz da Polícia Rodoviária Federal quem é multado é o condutor, independentemente se é carro público ou não. E a multa é descontada em folha! Também temos um barco e uma lancha. Porém, nosso canal pra descer a lancha pro rio está há muito tempo sem dragagem. Temos um canal de apenas 40 centímetros de profundidade. Nossa lancha de 300 kg atola, não desce. Nosso trapiche está desmanchando e já leva mais de 10 anos sem manutenção. Usamos um barquinho de 5 metros, com motor de 15hp, pra fiscalizar em torno de 26 mil hectares, entre as 06 cidades que abrangem o Parque Estadual do Delta do Jacuí (Porto Alegre, Eldorado, Charqueadas, Triunfo, Nova Santa Rita e Canoas).

Atualmente somos 10 guardas. Destes apenas 03 possuem uniforme, armamento e instrução completa para trabalhar. Todo esse pessoal deve ter uma instrução pra fazer patrulhamento, policiamento em relação à invasões, crimes ambientais, combate ao incêndio. E á claro, promover a educação ambiental. Além disso, por causa da região tu acabas encontrando outras coisas, como depósito de armas, tráfico de drogas...então esses funcionários devem estar bem preparados para lidar com isso. Outro exemplo: conseguimos um curso para instruir nossos agentes com a Capitania dos Portos. Era um curso grátis, nossa única função seria transportar os agentes. Tivemos que cancelar o curso porque não tínhamos carros em condições, como já citei, para transportar os novos instrutores ambientais”.

A Secretaria Estadual do Meio Ambiente, pasta liderada por Jussara Cony, apenas informa, via assessoria de imprensa, que todas as solicitações feitas pelos guarda-parques estão sendo analisadas. Já a Secretaria Estadual do Turismo não divulga em seu site o Parque do Delta do Jacuí como potencial turístico, tanto de aventura quanto de ecoturismo. Conhecendo o estado de abando fica óbvio: o Governo Estadual não quer mostrar o que fez com um dos lugares mais lindos do nosso Rio Grande.

Enquanto vemos cidades como Bonito, no Mato Grosso do Sul, e a própria Cambará do Sul, no nosso Estado, explorar o ecoturismo e o turismo de aventura, agregando valor às suas economias, Porto Alegre mais uma vez se vira de costas para suas ilhas, seu lago. A questão que fica é: por que não fazer do Parque Estadual do Delta do Jacuí um ponto de visita comum aos turistas e aos próprios porto-alegrenses? Seria por querer deixar este paraíso apenas para os grandes condomínios que ali querem instalar-se? Ao final, sempre impera a desculpa: o Estado não tem dinheiro, entreguemos à iniciativa privada. Então como o governador Olívio Dutra fez? Àquela época sobrava dinheiro. Ou os interesses eram outros? No seu Plano de Governo, Tarso Genro reclamava do descaso com o Parque. Até agora, nada por ele foi feito. É triste. E revoltante.

Fonte: Jornal do Centro, Delta do Jacuí_Abandono.

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