Documentação Técnica

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* Engenharia de Dragagem, Sinalização Náutica, Batimetria, Projetos de Canais Navegáveis, Meio Ambiente, Cartas Náuticas, Software de Navegação, Topografia Básica e outros assuntos técnicos.

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segunda-feira, 4 de junho de 2012

Porto de Rio Grande: Paralisações por mau tempo provocam perdas de R$ 20 milhões desde 2010

Condições climáticas extremas impediram operações de carga e descarga durante 76 dias

Paradas provocam perdas de R$ 20 milhões desde 2010 em Rio Grande Maurício Gasparetto/Agencia RBS
Mar agitado prejudica operações na região
Foto: Maurício Gasparetto/Agência RBS

Rafael Divério
rafael.diverio@zerohora.com.br

Podem passar de R$ 20 milhões os prejuízos nos últimos dois anos e meio no Porto de Rio Grande por conta da paralisação das atividades. Somadas as horas paradas, chega a 76 o número de dias em que algum motivo impossibilita manobras dos navios por condições climáticas.

O cálculo das perdas de proprietários de cargas ou armadores (empresas responsáveis pelo transporte) é estimado pelo Sindicato das Agências de Navegação (Sindanave). O valor é apenas estimado porque, pela diferença no movimento do porto conforme a época do ano, é impossível precisar o prejuízo de um dia sem atividades. Em períodos de safra de grãos, por exemplo, há mais navios. Fora dessa temporada, a frequência diminui.

Assim, o cálculo é feito com base no número de embarcações que passam anualmente no porto, estimando que de oito a 10 navios operem nas águas gaúchas diariamente. Pela variedade de cargas, estipular o preço de uma embarcação parada fica ainda mais difícil. Mesmo assim, o custo de cada dia de navio inativo é estimado entre R$ 70 e R$ 80 mil. Por isso, com os 76 dias, passaria de R$ 20 milhões a perda de armadores e proprietários de carga.

– Dependendo do material que deveria ser descarregado, qualquer atraso causa uma reação em cadeia, que aumentaria ainda mais esse valor – comenta o presidente do Sindanave, Eduardo Adamczyk.

Mesmo com os eventuais problemas, porém, o porto gaúcho segue como melhor destino para carga e descarga, na opinião de Adamczyk. Eventuais fechamentos são compensados por calado, armazéns e velocidade de operações, condições que o dirigente considera melhores do que as de Santa Catarina, Paraná e Rio de Janeiro. Essas condições garantem a Rio Grande o posto de segundo mais importante em cargas do Brasil.

– Seria necessário que o porto investisse em estruturas mais modernas para evitar cancelamentos de operações. Há boias inteligentes, que sinalizam o canal e garantem a navegabilidade, por exemplo. É preciso garantir operações 24 horas por dia. Assim, o porto seria altamente competitivo – adverte Adamczyk.

Um investimento está previsto para tentar reduzir o número de horas paradas em Rio Grande. O porto será contemplado, nos próximos meses, com o Sistema de Gerenciamento de Tráfego de Navios (VTMS, na sigla em inglês). O projeto irá monitorar o tráfego hidroviário, rastreando toda a área do porto organizado. O plano é da Secretaria Especial dos Portos, que contratou a empresa americana Unisys (referência em tecnologia da informação) para a elaboração.

O objetivo é atacar diretamente o congestionamento de navios nos portos brasileiros e as dificuldades relacionadas à entrada e saída de embarcações e cargas pelo mar. No ano passado, a Unisys finalizou os trabalhos do projeto Carga Inteligente, que oferecerá monitoramento e aumentará a segurança do transporte.

Será possível, com esse procedimento, reduzir o tempo de espera dos navios que estão fora dos portos, além de integrar os departamentos responsáveis pelo monitoramento dos navios e facilitar a troca de informações, levando a uma navegação segura. Tudo isso será realizado por um sistema de radar e Identificação Automática (AIS), responsável por realizar toda a varredura no porto. Salvador (BA), Rio de Janeiro e Itaguaí (RJ) também serão contemplados.

Em 2012, até o momento o tempo tem ajudado. Foram apenas cinco dias de paralisação, sendo quatro por baixa visibilidade e uma por ondas grandes e ventos fortes. Pela posição geográfica, Rio Grande é mais suscetível a intempéries do que os demais portos brasileiros. Como está em uma zona sub-tropical, fica mais sujeito à exposição de ventos fortes, chuva intensa (que diminui a visibilidade) e aumento da força da correnteza. Assim, o fechamento do porto gaúcho é mais comum do que dos demais brasileiros.

Fonte: ZERO HORA, Economia.

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