Documentação Técnica

Documentação Técnica
* Engenharia de Dragagem, Sinalização Náutica, Batimetria, Projetos de Canais Navegáveis, Meio Ambiente, Cartas Náuticas, Software de Navegação, Topografia Básica e outros assuntos técnicos.

* Os leitores poderão ter acesso e fazer download do material na parte inferior desta página.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Rio Gravataí - A solução ambiental é dragar, retirar o lodo contaminado do fundo do canal

O principal impacto ambiental da atividade de dragagem nos rios navegáveis é que o material de fundo dos canais é revolvido durante a operação de escavação; além da turbidez provocada na água, se o material de fundo for contaminado os poluentes serão liberados e poderão comprometer o uso da água pela fauna aquática e pela própria população ribeirinha.

No caso específico do rio Gravataí, há muito tempo estamos tentando convencer os técnicos dos órgãos ambientais que a permanência do lodo contaminado no fundo do rio é prejudicial ao corpo hídrico, por uma singela razão: a dragagem não é a única ação que tem o poder de revolver o material de fundo, causando turbidez e liberando os poluentes que comprometem a vida aquática e os pontos de captação de água para abastecimento a jusante.

Ao contrário, a dragagem é uma atividade intermitente, periódica, que é feita raramente, no máximo de quatro em quatro anos. O efeito dos temporais, por exemplo, que ocorrem com muita frequência, causam a movimentação descontrolada do material de fundo, com a formação de enormes plumas de poluição que prejudicam a fauna e comprometem a captação da água de abastecimento das populações ribeirinhas.

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Dragagem do rio Gravataí (Draga Triches/SPH)

Outra atividade que movimenta diariamente o material de fundo, também de forma descontrolada, é a própria navegação que, nesse caso, provoca o revolvimento do material contaminado existente no fundo do canal devido à ação dos hélices e ao arraste de âncoras (manobra para manter a direção da proa da embarcação, entrando ou saindo do canal).

Proibir a navegação resolve o problema do rio Gravataí? Creio que não, pois os temporais continuariam, e as condições do tempo não estão sob a jurisdição dos órgãos ambientais; vale dizer, os órgãos ambientais não podem proibir os temporais ... Sem falar que o lançamento de lixo e efluentes poluídos continuaria sendo feito, da mesma forma que hoje - de forma impune, sem qualquer fiscalização

Então, para os engenheiros a questão é muito clara: para salvar o rio Gravataí é necessário, a curto prazo, remover o material contaminado do fundo do rio, e a única ação que permite isso é a dragagem; a longo prazo, os órgãos ambientais deveriam atacar as fontes da contaminação do material de fundo do rio, fiscalizando as prefeituras e as empresas industriais, e proibindo o lançamento de poluentes nas águas do rio Gravataí. Mas para fazer isso é necessário competência técnica, muito trabalho e vontade política, atributos que não são encontrados atualmente nos órgãos ambientais. 

Dessa forma, a dragagem não é apenas útil à navegação, também é fundamental para a sobrevivência do rio Gravataí, e a remoção do lodo contaminado do fundo do canal somente não acontece por culpa exclusiva dos órgãos ambientais que, nesse caso, são os maiores inimigos do corpo hídrico - não permitem sua limpeza, nem impedem que os poluidores continuem lançando no rio, impunemente, esgoto "in natura", lixo e efluentes industriais contaminados.

5 comentários:

  1. E no caso da dragagem, o SPH teria condições de efetuar este trabalho com a draga Triches ou somente com uma empresa privada teria o maquinário adequado para este serviço?? Afinal são poucas as empresas que oferecem este serviços e a preços estratosféricos.

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  2. Sabe o que é engraçado? A FEPAM não liberar o SPH para limpeza do Gravataí! Mas sem explicação alguma ela não questionar nem fiscalizar como o club Jangadeiros pode aumentar sua ilha usando a areia retirada na dragagem do guaíba pelo PISA. Posso ser leigo mas me parece que usaram do dinheiro público para beneficiarem alguns "burgueses", ai para a reforma do Cais do Porto e limpeza do Gravataí eles querem emitir licença e projeto de impacto ambiental!! E onde estão os projetos e licenças do Jangadeiros para se colocar toda aquela areia la?? Acho que tem muito peixe grande envolvido e a verdade é que Porto Alegre nunca vai se questionar quanto a isso, ta todo mundo ocupado com os novos estádios!!

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  3. Texto claro e elucidativo.
    Parabens.
    Espero que os "ecologistas" que estão dificultando a dragagem estendam que o problema não é a dragagem e sim a liberação de poluentes sem controle dos orgãos ambientais.
    O fato de retardar a dragagem vai aumentar a quantidade de caminhões na estrada, com todos os problemas que o modal rodoviario nos impõe.
    Abraços, zilton

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  4. Engraçado Sr. Hermes, meus dois comentários anteriores a respeito das dragagem no Jangadeiros não terem sidos postados. Ja vi que o sr. é só mais um "figurão", metido a estar comprometido com os problemas. Nem vou mais acompanhar este blog!! LAMENTAVEL.A verdade que eu comentei também atinga o sr. quem sabe até o sr. tem seu veleiro la no jangadeiros certo? Lamentavel!!! Bruno, caso o sr. tenha interesse em me justificar algo caso tenha alguma indule: brunosany@hotmail.com

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  5. Bruno:
    Não sou nenhum "figurão", não sou associado e nem tenho veleiro no Jangadeiros, apenas atrasei, por motivos particulares, a publicação de vários comentários (8), dentre eles os teus. Hoje (26/11) coloquei os comentários em dia. Realmente, eu soube que o aterro do Jangadeiros foi feito à revelia da FEPAM, e está dando problemas. Meu pequeno veleiro (19') ainda está em construção (quase pronto), e vai para as lagoas do litoral norte. Um veleiro novo, desse porte, tem o mesmo custo de um automóvel de classe média. Se for usado, em excelentes condições, sai mais barato do que um carro popular. Saudações.

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