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sexta-feira, 3 de maio de 2013

Extração de Areia - Um dos presos pela Polícia Federal na Concutare confessa ter recebido propina

Geólogo Ricardo Sarres Pessoa colaborou com as investigações, e foi o único a não ir para o Presídio Central.

Um dos presos pela Polícia Federal na Concutare confessa ter recebido propina Polícia Federal/Dilvulgação/Agencia RBS
Policiais recolheram documentos, armas e cerca de R$ 570 mil em cédulas 
de real, euro e dólar. (Foto: Polícia Federal/Dilvulgação/Agencia RBS)

Adriana Irion adriana.irion@zerohora.com.br

Flagrado pela Polícia Federal (PF) com cerca de R$ 350 mil guardados em um carro na garagem de seu prédio, o servidor da Fepam Ricardo Sarres Pessoa, 63 anos, admitiu em depoimento que recebia propina de empresários interessados na liberação de licenças ambientais.

Mais: deu nomes de supostos corruptores e detalhes do esquema de concessão fraudulenta de documentos em prol de interesses privados. Pessoa foi o único dos 18 presos da Operação Concutare que não foi levado ao Presídio Central, em Porto Alegre.

Permaneceu na carceragem da PF e prestou mais de um depoimento desde o momento de sua prisão, na manhã de segunda-feira. No começo da noite de terça, foi solto, depois de a polícia comunicar à Justiça Federal de que ele havia colaborado espontaneamente no depoimento.

O advogado de Pessoa, Lúcio de Constantino, disse na quinta-feira que a orientação para seu cliente agora é aguardar a conclusão das investigações sem falar sobre o assunto. Constantino não quis comentar o teor do depoimento do servidor, mas ressaltou ter sido "esclarecedor".

Geólogo e atuando na Fepam há pelo menos 10 anos, Pessoa confessou que recebia dinheiro de empresas privadas com interesses junto à fundação. Teria dito que parte dos R$ 350 mil apreendidos pela PF é dinheiro lícito, mas que o restante trata-se de propina. O valor representa 60% do montante apreendido pelos policiais na segunda-feira, dia em que a Concutare foi deflegrada. A PF executou 28 mandados de busca e apreensão.

A investigação não registraria ligação de Pessoa com o Instituto Biosenso, de propriedade do ex-secretário do Meio Ambiente Berfran Rosado (MD, ex-PPS), que também atuaria de forma fraudulenta junto à Fepam.

A atuação de Pessoa estaria relacionada a outro grupo de investigados. Na segunda-feira, depois de desencadear a Concutare, a PF explicou que nem todos os presos e suspeitos integram o mesmo grupo. A assessoria da Secretaria Estadual do Meio Ambiente disse na quinta-feira não ter condições de informar detalhes da ficha funcional de Pessoa. Ele estaria lotado no setor de licenciamentos da Fepam.

Depoente aponta canal de pagamento

Pessoa relatou à PF que era procurado diretamente por intermediários — como consultores — que atuavam em nome de empresas privadas. Em trecho de documento da Justiça Federal sobre a investigação, há registro de que Lúcio Gonçalves da Silva Junior, também preso, seria um dos que pagavam propina ao servidor da Fepam. "(...) no exercício de sua atividade de consultoria ambiental, Silva Junior consolidou-se como a possível e principal fonte de pagamento de propina ao servidor Ricardo Sarres Pessoa, uma vez que canalizava a ele os valores encaminhados pelos empresários beneficiados pela emissão de licenças ambientais (...)."

Em outro ponto, a investigação registra que o empresário Gilberto Pollnow, dono da Pollnow & Cia Ltda, remeteu R$ 10 mil a Pessoa, por meio de Silva Junior, por conta da expedição de uma licença de operação, e que a quantia teria sido paga na residência do servidor. Segundo registro da polícia, Pessoa já havia sido indiciado em dois inquéritos da PF por delitos contra a administração ambiental e por falsidade ideológica.

Fonte: Zero Hora, Operação Concutare.

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